Este é um blog dedicado exclusivamente para o caipira, sua música, seus causos enfim tudo que tenha a ver com a vida simples do homem do campo. Aqui vc vai encontrar links para sites que tem interesse no resgate e preservação deste estilo.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Carlos Cesar e Cristiano

Tudo começou numa reunião de amigos, com Cristiano fazendo a primeira voz, e a segunda voz, a cargo de Carlos César e, em dado momento, espontaneamente, eles inverteram os papéis, dentro da mesma música, sem interrupção! Um "entendimento perfeito", sem combinação prévia, intuitivo, por assim dizer! Tal entrosamento animou Carlos César e Cristiano a formarem a dupla!
Ambos já lutavam bastante por uma carreira artística: Carlos César como Cantor, Compositor, Letrista, Instrumentista e Produtor, com brilhantes participações em festivais diversos, tanto na MPB como também na Música Sertaneja. Carlos César conseguia compor com incrível facilidade, chegando inclusive a musicar os versos ao mesmo tempo em que lia a letra da música.
Juntamente com José Fortuna, Carlos César compôs mais de uma centena de belíssimas páginas, gravadas por diversos e excelentes intérpretes.
A consagração de Carlos César como compositor e parceiro de José Fortuna aconteceu por ocasião do II Festival Record (em 1979, apresentado por Geraldo Meirelles), no qual os dois compositores conquistaram três primeiros lugares, com todos os méritos!
Dois anos depois, em 1981, Carlos César e José Fortuna voltaram a conquistar o primeiro lugar no mesmo Festival com a composição "O Vai e Vem do Carreiro" que foi gravada também por Carlos César e Cristiano.
O jovem Cristiano, por outro lado, com sua voz excepcional e vibrante, além de bastante sensibilidade, também desenvolveu de forma brilhante a arte da oratória. E, segundo alguns apreciadores, parecia que ele se transportava para outras Esferas quando cantava!
Desiludido, após tantas diferentes tentativas, já quase desistindo de tudo, Cristiano acabou "tendo a intuição" de procurar por Carlos César, que já vinha se tornando famoso por suas já bastante requisitadas composições, inclusive em parceria com José Fortuna, que, por sinal, também foi um grande incentivador e "padrinho"
da nova dupla que se formava, após ter testemunhado o maravilhoso entrosamento musical de ambos!
Ambos de origem urbana, utilizavam a voz ao natural, sem forçar sotaques nem dialetos (achavam desnecessário os "nóis vai, nóis vem", tão descabidos na Música Sertaneja já no início da década de 1980). Em diversas interpretações podemos também ouvir um belíssimo "vibratto" a cargo do Cristiano, em sua belíssima voz, perfeitamente harmonizada com a voz do Carlos César!
A dupla chegou a ser conhecida na época como "A Nova Maravilha Sertaneja", com o modo de interpretar, a instrumentação, o repertório e o visual bastante original e inovador, sem no entanto ferir o velho estilo Caipira Raiz.
No início da década de 1980, antes mesmo de gravar o primeiro disco, a dupla já havia conquistado um enorme sucesso, de modo que haviam feito um contrato com o Governo do Estado de São Paulo (até 1982), pelo qual percorreram o Interior Paulista em caravanas diversas, nas quais eram bastante aplaudidos.
Em Novo Horizonte-SP, por exemplo, a tourneé se prolongou por quase uma semana!
Após 1989, porém, pouco se sabe sobre essa dupla tão harmoniosa e original e de tão pouca duração, mas que também ajudou a escrever mais uma página na longa História da Música Caipira. Carlos César faleceu no ano de 2002.
São desconhecidos até então os rumos tomados pelo Cristiano após o período de atividade da excelente dupla.
Como curiosidade, vale citar que Cristiano é irmão de Getulio, cantor sertanejo quase que desconhecido, mas que, pela história, tem uma importante marca: ele foi o último parceiro a cantar com Belmonte em show ao vivo. Segundo a família de Belmonte, ele pretendia formar dupla com Getúlio, ideía que o acidente na volta do
show em Itápolis pôs um trágico fim. Getulio também já faleceu. Ele formava a dupla Juracy e Marcito e trabalhava com o apresentador Raul Gil.

(Baseado em dados do Site A Boa Música, do cumpadre Ricardinho e informações do sobrinho de Getulio atraves do Grupo Caipira Raiz)

Segue abaixo o link para uma preciosidade

http://rapidshare.com/files/2490245/_1989__-_Carlos_Cezar_e_Cristiano_-_Carlos_Cezar_e_Cristiano.zip.html

quinta-feira, novembro 09, 2006

Luto

Sanfoneiro Mário Zan sofre parada cardíaca e morre em SP

O sanfoneiro Mário Zan, 86 anos, morreu às 20h30 desta quarta-feira. Ele estava internado no hospital Sorocabana, no bairro Lapa, em São Paulo, com problemas no estômago e no coração. O músico, que respirava com dificuldades há mais de 15 dias, sofreu três paradas cardíacas. O compositor e instrumentista foi amigo e parceiro de Luiz Gonzaga - segundo o "rei do baião", o posto de "rei da sanfona" pertencia a Mário Zan.

Natural da Itália, Mario Giovanni Zandomeneghi tem mais de mil músicas autorais gravadas. Entre elas, Os Homens Não Devem Chorar, de repercussão internacional, que acumula mais de 200 interpretações em toda a América Latina, Estados Unidos, Portugal, França, Alemanha, China e Japão.

De seu repertório, 36 músicas foram regravadas por intérpretes brasileiros como Roberto Carlos, Sérgio Reis, Almir Satter e outros.

Mario Zan é conhecido em todo o Brasil como o maior solista de festas juninas de todos os tempos. Suas canções mais populares da comemoração paulista são Quadrilha Completa, Balão Bonito e Noites de Junho ou Pula a Fogueira.

A postagem abaixo é uma materia que conta a trajetoria deste maravilhoso rei da sanfona.Uma justa homenagem do blog Viola Enluarada.
(A materia foi publicada no site www.terra.com.br)

Mario Zan, o soberano da canção popular na sanfona

Sexta, 21 de junho de 2002

A vida artística para Mario Zan obedece a uma filosofia que ele resume numa bem conhecida expressão popular: "O sol nasce para todos." Assim ele fala de sua relação com os colegas sanfoneiros ilustres como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca e outros com quem diz ter convivido num espírito de amizade e camaradagem. A frase, no entanto, revela muito da personalidade desse sanfoneiro italiano que se tornou um dos artistas brasileiros mais genuínos.

Aos 82 anos, Mario se mostra como uma figura extremamente simpática e bem-humorada, que cativa assim que começa a fazer piada com cigarro, seu vício de sete décadas. Depois de listar os males do fumo, garante que está empenhado em largá-lo definitivamente.Os cabelos tingidos de preto e seu jeito meio interiorano não denunciam a idade.

Mario também não aparenta o que realmente é: um dos grandes compositores populares do século XX no Brasil, autor de algumas dezenas de sucessos entre as mais de cem músicas que compôs com sua inseparável sanfona. De seu repertório, 36 músicas foram regravadas por intérpretes brasileiros como Roberto Carlos, Sérgio Reis, Almir Satter e outros.

Entre os sucessos, destacam-se Segue Teu Caminho, Chalana, Festa na Roça, Bicho Carpinteiro, Trem de Ferro, Nova Flor - mais conhecida como Os Homens Não Devem Chorar - e Quarto Centenário, feita em homenagem ao aniversário de São Paulo.Pelo menos duas composições de Mario Zan ultrapassaram há muito as fronteiras brasileiras: Chalana, em parceria com Arlindo Pinto ("Lá vai uma chalana/Bem longe se vai/Navegando no remanso/Do rio Paraguai/Oh, chalana sem querer/Tu aumentas minha dor/Nestas águas tão serenas/Vai levando meu amor") e Nova Flor, mais conhecida como Os Homens Não Devem Chorar.

A primeira, apesar de gravada desde a década de 1940, voltou a fazer sucesso como tema da novela Pantanal, da Manchete, em 1990.Os Homens Não Devem Chorar acumula gravações de mais de 200 intérpretes em toda a América Latina, Estados Unidos, Portugal, França, Alemanha, China e Japão. Em inglês, ganhou o título de Love Me Like a Stranger. Na Alemanha, o cantor Howard Carpendale também regravou a música no CD Fremde oder Freunde, com acompanhamento de uma respeitável orquestra. A canção atingiu o primeiro lugar nas rádios logo após seu lançamento. Mas foi em toda a América Latina que Os Homens Não Devem Chorar arrebatou lágrimas masculinas.

O autor estima em mais de 200 os registros fonográficos - principalmente no México, onde Los Hombres No Deben Llorar ajudou Pedro Fernández a vender mais de 2 milhões de cópias de um único CD. No Brasil, virou tema musical da primeira versão da novela Pecado Capital, da Globo, de 1976.Seu grande sucesso brasileiro, porém, será sempre Quarto Centenário, feita para celebrar a fundação de São Paulo, em 1954, e que virou hino da capital paulista. O disco vendeu 1 milhão de cópias em poucos meses e se tornou um marco na discografia nacional.

Dizia-se na época que a marca superou de longe o número de vitrolas em funcionamento no país. Até quem não tinha o aparelho levou uma cópia para casa. Outros compraram mais de uma cópia, já que os 78 rpm quebravam com facilidade. E o disco continua em catálogo: acumula 10 milhões comercializados desde que surgiu em 78 rpm - depois reeditado em LP e na versão CD. A música chegou a ser gravada por uma das grandes bandas de jazz dos Estados Unidos, a Miami Jackson Band.

Com mais de 40 CDs gravados - 30 deles em catálogo -, Mario Zan continua a vender bem. Em média, 600 mil discos por ano - entre 80 mil e 100 mil somente durante o mês de junho. Sua discografia inclui cerca de 300 discos em 78 rpm, 105 LPs, além dos CDs, num total de mais de mil gravações não repetidas. Sua popularidade se deve principalmente ao fato de Mario Zan ser mais identificado em todo o Brasil como o maior solista de festas juninas de todos os tempos. Uma reverência feita por ninguém menos que Luiz Gonzaga.

Sua contribuição maior para a festa junina, além de três dezenas de composições, foi ter lançado em disco uma série de marcações para quadrilhas. Funciona mais ou menos assim: antes de começar a tocar, ele conversa com os ouvintes que vão participar da quadrilha, organiza os pares por sexo e lugar e passa a tocar, ao mesmo tempo em que coordena a apresentação. Um de seus sucessos no gênero é Festa na Roça, em parceria com Palmeira, que se tornou um clássico indispensável para quadrilha junina. Enfim, onde tem São João, Mario Zan está presente de alguma forma. Mesmo assim, o sorridente sanfoneiro dispensa o rótulo de Rei da Quadrilha.

Não pega bem, parece coisa de mafioso, justifica. Uma mostra de seu repertório do gênero será apresentada neste sábado, no especial do Viola, Minha Viola, de Inezita Barroso, que a Rede Cultura exibe amanhã, dia 22, às 22h, com reprise no dia seguinte, às 9h. A participação no programa da Cultura é uma rara exceção na rotina do sanfoneiro nas duas últimas décadas. Mario não costuma ser convidado para aparecer na televisão. Até o ano passado, manteve por dois anos um programa no canal católico Rede Vida, aos domingos, Mario Zan e seus Convidados.

Ele atribui a falta de interesse em suas performances à perda de prestígio dos solistas. Nada pessoal, portanto. Como explicar, então, tamanha popularidade para vender tantos discos? Ao responder à pergunta, ele finalmente deixa a modéstia de lado. Tal fato ocorre porque suas canções não são cantadas, apenas tocadas. Por isso, não têm época, não caem de moda. "Virei catálogo, estou entre aqueles que alcançaram um nível que não caem mais", diz em tom de brincadeira.

Música solada

Pela sua teoria, a música solada permite que o ouvinte faça outras coisas enquanto a ouve. Já a cantada exige atenção. Se a mídia lhe torce o nariz, Mario Zan não cobra reconhecimento. Seu nome e retrato estão expostos no Museu de Artes de Frankfurt, Alemanha, ao lado de grandes instrumentistas de todos os tempos. Sua presença está justificada como o "acordeonista mais sentimental de todos os tempos". Na Cidade do México, já recebeu diversas homenagens devido ao sucesso de suas músicas naquele país.O público também não esquece. Além de vender bem, ele faz em média cinco apresentações mensais.

Convites para mais não faltam, mas ele explica que seria muito cansativo. Cada show rende um cachê de R$ 5 mil. O sanfoneiro não se sente à vontade em falar o valor e ressalta que inclui os músicos que o acompanham. Como se o cachê fosse elevado demais. Não imagina que pagodeiros, sertanejos e cantores de axé music chegam a embolsar R$ 70 mil por show, sem incluir os músicos. Enfim, que a quantia é mínima para seu talento e representatividade na música popular.O marco inicial da trajetória de Mario Zan foi o baile de casamento que animou sozinho quando tinha apenas 10 anos de idade. Feitas as contas, são quase 75 anos de estrada e 60 de sua estréia no rádio paulista.

Mario João Zandomeneghi nasceu em Veneza, na Itália, em 1920. Seus pais vieram para o Brasil quando ele tinha 4 anos, em 1924. Estavam cansados de muitas guerras e queriam uma vida melhor para os filhos. José Zandomeneghi trabalhava em olaria e plantação de uva. Ema Carmelo era dona de casa. A família se estabeleceu em Santa Adélia, próximo a Catanduva.Zandomeneghi foi trabalhar como lavrador.

Desde cedo, como havia sempre festas ao longo do ano, seu filho Mario não desgrudava o olho dos sanfoneiros - uma presença sagrada como animadores. Eram ritmos como rancheira, polca, arrasta-pé, valsa e balanceio (baião) que haviam se tornado uma tradição no interior do país. Aos 6 anos, o menino convenceu o pai a lhe comprar uma pequena sanfona, da qual não se desgrudou mais. Aprendeu a tocar sem professor e fazia isso durante horas todos os dias.

Ficou tão afiado que, aos 10 anos, animou um baile de casamento.Naquele tempo, conta Mario, o sanfoneiro cantava em cima de uma mesa para poder espalhar melhor o som, já que não havia amplificadores. Era uma mesa grande e firme e ele garante que nunca perdeu o equilíbrio ou caiu. Sua breve carreira mudou de rumo quando a família se mudou para a capital paulista. Se ficou sem os trocados dos bailes, Mario encontrou um outro mundo de possibilidades que compensava o sacrifício.

Encontrou uma cidade em processo de industrialização frenética e uma novidade que poderia mudar sua vida: o rádio. Estava mais disposto do que nunca a seguir a carreira de solista, apesar de saber que o centro da música estava no Rio, não em São Paulo.Um fenômeno musical recente estimulou o instrumentista a apostar na música de temática junina como parte principal de seu repertório. O mercado fonográfico brasileiro começava a descobrir que as festas juninas poderiam ser um lucrativo contraponto às altas vendas que alcançava no período carnavalesco, de dezembro até a folia de Momo em fevereiro ou março.

E o melhor: os dois gêneros não competiam entre si. Assim, ao longo da década de 1930 e da seguinte, compositores criaram marchinhas juninas que seriam gravadas por grandes astros da música popular e incorporadas às festas de junho, assim como muitos fizeram para o carnaval.Um desses compositores era Assis Valente, um mestre em criar sucessos, que buscou referências de sua infância no interior da Bahia para fazer clássicos como Cai, Cai Balão, gravado por Aurora Miranda e Francisco Alves em 1933; Olhando o Céu Todo Enfeitado e Mais um Balão, ambas de 1935, interpretadas por Francisco Alves.

Em São Paulo, aos 14 anos

Outros nomes importantes do gênero foram Lamartine Babo (Chegou a Hora da Fogueira e Isto é Lá com Santo Antônio), Ari Barroso (Sobe Meu Balão) e outros. Além de Francisco Alves, Carmen Miranda emplacou vários sucessos (Sonho de Papel), inclusive em dupla com Mario Reis (Chegou a Hora da Fogueira e Isto é Lá com Santo Antônio). A maioria dessas marchinhas passou a fazer parte dos shows de Mario. Afinal, tocava o que o povo pedia. Em São Paulo, aos 14 anos, ele foi aprender música com o maestro Ângelo Reale "para saber o que estava fazendo". Ao mesmo tempo, começou a animar bailes e matinês na periferia da capital e cidades próximas - às vezes, fazia até quatro apresentações por dia.

Mario Zan tocava de tudo - até mesmo o tango e o choro. A primeira oportunidade para se apresentar no rádio aconteceu na Educadora Paulista, atual Gazeta. Participou do programa de calouros "Peneira Roldini" e levou o primeiro lugar com o choro Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu), acompanhado do Regional de Zé da Pinta.O diretor artístico da Tupi, Armando Bertoni, ouviu sua performance, gostou e deu ao garoto meia hora para se apresentar na emissora. O primeiro emprego, no entanto, só conseguiu na recém-inaugurada rádio Bandeirantes, que funcionava na movimentada rua São Bento, centro de São Paulo.

Ao chegar, conheceu Walter Foster, futuro galã da televisão, que lhe fez um favor: ao ouvir o nome do jovem sanfoneiro, perguntou-lhe quem iria decorar aquele nome e simplificou-o para Mario Zan. "Esse sim, é um nome forte!", teria dito Foster. Na mesma emissora, o instrumentista era identificado como "O sanfoneiro que brinca com a sanfona". Em seguida, teve uma breve passagem na Nacional paulista, onde acompanhou a dupla de comediantes Palmeira e Piraci.Como o Rio de Janeiro era o centro cultural e político de tudo - inclusive das gravadoras e emissoras de rádio -, Mario Zan juntou uns trocados e resolveu se aventurar na capital federal.

Procurou César Ladeira, diretor artístico da Mayrink Veiga. Sem nada conseguir com Ladeira, Mario decidiu volta para São Paulo. Enquanto esperava por uma chance, se hospedou no Hotel Real, pertencente a um português que teve uma breve carreira como cantor e adorava fazer saraus em sua hospedaria, animados com guitarra portuguesa. O dono do hotel se encantou com o sanfoneiro ítalo-paulista. Tanto que tentou convencê-lo a permanecer no Rio e só pagar o quarto quando recebesse.

Pouco antes de partir, seu caminho se cruzou com um outro sanfoneiro, um pernambucano que começava a abrir espaço no rádio carioca: Luiz Gonzaga. Os dois foram apresentados pelo paulista Ângelo Sindona, conhecido como Rei da Alface, pois abastecia toda a capital carioca com legumes que trazia de seu Estado. Sindona e Mario se hospedavam no mesmo local e ficaram amigos. Certo dia, ao saber do desânimo do vizinho de quarto, Sindona o levou a uma pensão no Catete para conhecer Gonzaga.

"Toquei algumas coisas e ele me cobriu de elogios. Ele era uma pessoa muito boa, sempre tentando ajudar os colegas." Quando Mario falou que ia desistir do Rio, Gonzaga teria dito que aquela idéia estava fora de cogitação e que, em vez disso, ele começaria na semana seguinte como seu substituto no Samba Dance.Gonzaga explicou que, como o dono da boate estava abrindo uma nova pista de dança, "Farolito", ele cuidadora da filial e Mario ficaria no seu lugar.

"Não havia rivalidade com ele, como nunca houve comigo, cada um fazia o que sabia e, se não sabia, não devia atrapalhar." O Samba Dance tinha um sistema curioso de funcionamento: os homens pagavam por cada música dançada. Para isso, levava um cartão que era perfurado por um fiscal, sempre que começava uma nova música.O horário de Mario ia das 22h às 4h da manhã. Como o dinheiro era pouco, ele fez um teste para se apresentar por uma temporada no Cassino Atlântico, em Copacabana.

Ganhou a vaga e o apelido de "Moleque da Sanfona". De lá, se mudou para o Quitandinha, de Petrópolis. Até que recebeu um convite para tocar durante as férias nas estações balneárias de Cambuquira, São Lourenço, Lambari e Caxambu. Com o fim da temporada nos cassinos, decidiu voltar para São Paulo, foi convidado pelo trio Nhô Pai (autor de Beijinho Doce), Nhô Fia e Capitão Furtado para acompanhá-lo numa excursão por cinemas do interior do Brasil que pertenciam à rede Paducci, dona de pelo menos 50% das salas de São Paulo, Minas e Mato Grosso.

Sofrimento e saudade

Paducci sempre assistia à primeira apresentação de todos os artistas que fariam turnês em seus cinemas. Se gostasse liberava os shows. Se sentisse prejuízo à vista, suspendia a programação ali mesmo. Durante três meses, o quarteto do Capitão Furtado percorreu dezenas de cidades do Sudeste e Centro-Oeste do país. Nessa mesma excursão, compôs uma de suas primeiras músicas, Chalana, que nasceu sem letra. Ele conta como aconteceu. "A canção surgiu do nosso sofrimento durante a excursão, da saudade que sentíamos, sem notícias da família." A inspiração veio em Corumbá, da janela onde Mario ficou, no hotel São Bento, às margens do Paraguai.

A primeira gravação em disco de Mario foi realizada no ano de 1944 pela gravadora brasileira Continental. Naquele tempo, segundo o sanfoneiro, o músico ou cantor precisava ser muito conhecido no rádio para que tivesse uma oportunidade para gravar. O disco só vinha a partir de uma pesquisa informal de mercado: os vendedores diziam para os representantes das gravadoras quais os cantores não gravados que os compradores mais procuravam.O 78 rpm de estréia de Mario trazia a valsa Namorados e El Choclo, um tango argentino antigo, em ritmo de rancheira. Seu primeiro grande sucesso foi Segue seu Caminho, em parceria com Arlindo Pinto, que seria gravado depois por Solon Sales. Mais uma vez, Luiz Gonzaga ajudou o amigo.

Como Mario vendeu muitos discos em 1946, Gonzaga sugeriu que o contratassem para ocupar seu lugar de solista na gravadora RCA Victor, onde gravaria mais de 300 discos 78 rpm e mais de 40 LPs. Posteriormente, passaria pelos selos Bervely, Copacabana, Chantecler, RGE e Fermata, entre outras.A indicação de Luiz Gonzaga teve a ver com uma mudança em sua carreira que ocorria naquele momento. O pernambucano começava uma bem-sucedida experiência como cantor de suas músicas.

Sobre essa transformação, Mario conta que acompanhou tudo de perto. Segundo ele, durante uma apresentação, Gonzaga decidiu brincar com o público e cantou Chamego Dá Prazer, recém-gravada por Carmen Costa. Até então, ele era apenas solista. "O baião começava a aparecer, a voz de Luiz era ruim, mas tinha certa graça." Vitório Lotari, diretor da RCA, estava na platéia e deu uma ordem a Lula: cantar a música em seu próximo disco.A explosão de Mario Zan aconteceu em 1954, durante as comemorações do quarto centenário da fundação da cidade de São Paulo, quando homenageou a data com seu hino homônimo.

Nesse momento, com a consagração do baião de Luiz Gonzaga e da longevidade de dezenas de marchas criadas nos últimos 20 anos, o São João se revigorava como a festa mais popular do país. Em todos os cantos, havia sempre uma sanfona para reverenciar o santo. Se não, não é São João. "Éramos muito procurados nessa época, uma loucura", conta Mario. Já em 1948, ele gravou um disco só com músicas juninas, quando criou a marcação cantada da quadrilha. Na era do LP, seus discos trariam essa marcação por escrito.A presença constante no rádio e na TV ou pelos discos levava Mario para todos os cantos.

Eram os anos dourados de solistas de nível internacional como Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Luperce Miranda e Altamiro Carrilho, entre muitos - a maioria, intérprete de choros. O sanfoneiro garante que foi o primeiro artista a se apresentar no então território de Roraima, para onde viajou num avião "teco-teco" cuja porta era amarrada com um pedaço de arame. Entre um show e outro, ainda tinha tempo para fazer cinema.

Cinema

Pois é, participou de três filmes: Tristeza do Jeca , Casinha Pequenina e Da Terra Nasce o Ódio. Ao falar de suas aventuras pelos confins do Brasil, Mario é capaz de listar as cidades da fronteira entre Brasil e Venezuela. Em todas fez shows, recebeu aplausos e foi reverenciado como um dos grandes astros da música brasileira. Nunca fazia muita exigência para tocar. Dormia em esteiras, comia o que lhe ofereciam. Numa dessas aventuras, sem querer, acabou como membro convidado da comitiva do presidente paraguaio Higinio Morínigo, em 1946. Tudo começou quando Mario voltava de uma série de shows em Mato Grosso e decidiu conhecer a conturbada Assunção, às vésperas de uma guerra civil. Como não conseguiu o visto, foi orientado a procurar a embaixada do Brasil na capital paraguaia.

Enquanto ensaiava algumas polcas no navio Iris, foi cumprimentado por um brasileiro bem vestido que se identificou como ninguém menos que o embaixador Negrão de Lima, que prometeu lhe fornecer o visto. Impressionado com o sanfoneiro, Lima perguntou se ele não gostaria de tocar no jantar para o presidente paraguaio. Como conhecia Índia e Virgínia, clássicos populares paraguaios, Mario deixou o presidente emocionado. Virgínia era sua canção favorita. O presidente convidou o brasileiro a fazer parte da comitiva. Dinâmico, o sanfoneiro se tornou um pioneiro em "showmício": nas cidades onde o presidente ia passar, ele fazia uma apresentação antes para reunir os moradores locais.

Apresentou-se todas as noites durante 20 dias, sem ganhar um centavo. Bastava-lhe o título de hóspede de honra do presidente paraguaio.O apogeu de Mario Zan aconteceu entre 1954 e 1964, quando ele esteve entre os artistas mais executados das rádios de todo o país. Sempre relacionado ao São João, era lembrado como uma figura indissociável da cultura paulistana. Sobre o São João, lamenta que a música tenha perdido muito de suas características depois da morte de Luiz Gonzaga, em 1989.

"Não precisamos de letras com duplo sentido para alegrar as pessoas", avalia. "Gonzagão foi o rei de tudo isso cantando músicas bonitas, sem apelação de sexo." Mario defende que baião tem de ser alegre, não ofensivo. "Acho que todos deveriam seguir a escola de Gonzaga e usar a música para falar das histórias, dos romances e da cultura do Nordeste", afirma.A única coisa capaz de tirar Mario Zan do sério se chama direitos autorais. Quando o assunto é lembrado, sem perder o humor, ele pede um tempo antes para fumar um cigarro. Tem lá seus bons motivos. Apesar de "Nova Flor" ter estourado já na década de 1940 e se manter como um sucesso permanente na Argentina, no Paraguai e no México - numa viagem recente, o sanfoneiro trouxe 40 CDs com interpretações da música -, além de Estados Unidos e Alemanha, seu autor diz até hoje que os direitos autorais da canção no exterior em cinco décadas não totalizam R$ 50 mil.

Os americanos, ressalta, são os que melhor pagam direitos autorais no mundo. A cada seis meses, Mario recebe entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. "O artista no Brasil é roubado em todas as etapas, os fiscais não mencionam a música da gente, que entra como autor desconhecido." Com mais de cem canções gravadas, os depósitos em sua conta bancária não passam de R$ 500 a R$ 600 por mês. "Os fiscais do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) não passam recibo para os clubes e fazem acertos por um percentual do que teriam de pagar em direitos." Na semana passada, às vésperas do show no Sesc, brigava com o Ecad para liberar 10% do show que faria. No espetáculo, 31 músicas de sua autoria.Até o começo da década passada, Mario Zan mantinha uma rotina cansativa de shows quase diária. Chegava a se apresentar até quatro vezes no mesmo dia.

Longe dos holofotes da televisão, Mario Zan continua a animar centenas ou talvez milhares de festas juninas todos os anos com suas centenas de milhares de CDs que vende todos os anos. Enquanto promete que vai largar o cigarro, mostra sua energia jovial de alguém que se sente recompensado e feliz quando diz que toca para fazer o povo dançar. "Toco o que o povo quer", repete entusiasmado.Sempre que o chamavam de rei da sanfona, Luiz Gonzaga consertava: "Não, eu sou o rei do baião, o rei da sanfona é Mario Zan." E se o rei disse, está dito.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Duduca e Dalvan

Boa Tarde

Tendo em vista que a postagem do lp Rainha da noite, apresentou problemas no download. Segue abaixo outro link

http://rapidshare.com/files/2525103/Rainha_da_noite.rar

Que Deus abençoe e São Gonçalo proteja a todos

Palmeira e Biá

Segue abaixo 02 links com raridades da dupla, extraidos diretamente do grupo Caipira Raiz atraves do Cumpadre CLAUDEMIR TEIXEIRA DA SILVA. Aqui voce vai encontrar belas músicas, tais como:
Primeira Comunhão, Sobrancelha Grossa, Resposta do Couro de Boi,
Bico de Mamadeira, Pantanal Cuiabano (Modão de Viola), Piraquara,
Piado do Mutum e outras super raras.
Além da Capa e Contracapa com Nome, Ano e Compositores das músicas.

File : PALMEIRA_BI_-_PARTE_1.rar
Description of file: PALMEIRA & BIÁ - PARTE 1

To access the file posted, please click here :
http://www.badongo.com/file/1668848

File : PALMEIRA_BI_-_PARTE_2.rar
Description of file: PALMEIRA & BIÁ - PARTE 2

To access the file posted, please click here :
http://www.badongo.com/file/1668832

terça-feira, novembro 07, 2006

Uma postagem especial

A postagem abaixo foi copiada no grupo Caipira Raiz e colada neste blog (o famoso Ctrl C - Ctrl V)

Prezados Senhores:

Ou "Prezada Tatuzada", se preferirem...

Segue o link para uma preciosidade de Tonico e Tinoco!

http://rapidshare.com/files/1751676/TonicoeTinoco50Anos.zip.html

Foi em 1985, quando a Dupla Coração do Brasil completou 50 Anos de "Estrada" que a Globo produziu um Programa Som Brasil, na época, apresentado pelo Lima Duarte, e lançou o LP, com Arte na Capa feita por Elifas Andreatto.

No LP, além de Tonico e Tinoco, também participam Ney Matogrosso, Chitãozinho e Xororó, João Pacífico, Lima Duarte, Sérgio Reis, Jair Rodrigues, Inezita Barroso, Coral USP e, quem diria, até o grupo Magazine...
As faixas são as seguintes:


01) Tristeza do Jéca (Angelino de Oliveira) - com Ney Matogrosso
02) Chitãozinho e Xororó (Serrinha - Athos Campos) - com Chitãozinho e Xororó
03) Moreninha Linda (Tinico - Priminho - Maninho) - com Magazine
04) Chico Mulato (Raul Torres - João Pacífico) - com João Pacífico, Lima Duarte e Sérgio Reis
05) Cidade Grande (Pelé) - com Jair Rodrigues
06) Cana Verde (Tonico - Tinoco) - com Inezita Barroso
07) Festa na Roça (Tinoco - Nadir)
08) Canoeiro (Zé Carreiro - Nicola Caporrino "Alocin")
09) Besta Ruana (Ado Benatti - Tonico)
10) Aparecida do Norte (Tonico - Anacleto Rosas Jr.)
11) Pé de Ipê (Tonico - Tinoco)
12) Canta Moçada (Tonico - Nhô Fio - Nonô Basílio)
13) Na Beira da Tuia (Tinoco - Nadir)
14) Tristeza do Jéca (Angelino de Oliveira) - com Coral USP

Segue também uma "Faixa-Bonus" que é "Dois Corações" (Tonico - Teddy Vieira) que é uma gravação original em 78 RPM, que chegou a ser lançada em LP, mas que até hoje, ao que consta, não foi remasterizada em CD.

São portanto, 15 Músicas, além da Capa e Contra-Capa do LP e relação dos Nomes das Músicas, Compositores e Intérpretes (participações especiais).

A todos um grande abraço do Ricardinho!!

Fumu Nu Umbigo É Bão

“Fumu Nu Umbigo É Bão”
(Ivan Luís Corrêa da Silva)

Na Catalão dos anos sessenta,
na Catalão das entradas e bandeiras,
dos homens de armas
e dos cavaleiros e padres...

Três dias depois do natal de 1965,
nascia eu para uma vida singela,
numa casinha simples,
cercada de roça de milho.
No meu quintal,
tinha um rego d’água e um pé de carambola,
onde um bem-te-vi, infalivelmente,
alegrava as minhas manhãs.

Era uma fazendinha típica
do interior de Goiás,
Município de Catalão.

Foi à mulher parteira
quem me arrancou
do aconchego daquele útero;
considero-a, até hoje,
uma verdadeira carrasca.

Meu pai carpia chão,
minha mãe socava pilão.
Meu pai pedia chuva,
minha mãe pedia não.
Meu pai calos nas mãos,
minha mãe na alma;
reclamava de tudo.


Meu pai,
sem acompanhamento de qualquer
instrumento musical,
entoava algumas modas caipiras.
E eu, imaginava os cenários
das estórias das músicas.
Era o menino caçador que
foi morto pela onça feroz,
que mesmo ferida vinha na fumaça....
E eu, imaginando a mata,
o bicho, o ataque e a morte do guri.
Era feliz além da conta e nem sabia.

Era assim o lugarejo
alegre da minha infância.
Espairecia eu afogando
pintainhos no rego d’água,
montando a cavalo,
fugindo de vacas,
atravessando pinguela
e socando os irmãos.
Vivia feliz correndo a toa,
de pés no chão.

Cresci assim:
sem vídeo game e sem aula de inglês.
Não fiz natação, nem karatê,
nem assistia televisão.
Fui apresentado
a uma sessão de desenho animado
com onze ou doze anos,
mesma época em que
experimentei coca-cola.
Na época, minha droga predileta.

Mesmo assim era feliz.
Aos domingos arraial, amigos, avós,
almoços, futebol, brigas,
alvoroços e coca-cola...;
Nas segundas-feiras,
mutirão para a capina.
Companheiradas a limpar
roça de milho e feijão.

Às dez horas em ponto,
sentados nos barrancos,
nos calcanhares ou no cabo da enxada,
comiam arroz, macarrão,
galinha ao molho
preparada em fogo à lenha
e panela de ferro.
Que saudade!
- Daquele tempero e daquele tempo.

Quando à tarde, chovia,
pescava lambari, lobó
e outras tranqueiras no córrego.
Era o êxtase da vida.
Naquele tempo,
não invejava nem o Presidente americano.
Aliás, nem sabia que existia a América.

Não sabia da copa
nem que o Brasil já era tri-campeão
mundial de futebol.
Era tanta ilusão
e distanciamento de tudo,
que nem sabia
que no Brasil os militares
haviam tomado o Poder.
Que AI-5 que nada,
pensava somente em matar
pássaros com o estilingue
e tomar banho no poço azul,
que havia nos fundos da minha casa.
Censura e repressão
no meu mundo não havia.
Porão, somente debaixo da minha
casa assoalhada e não servia para nada.
Tortura maior que eu conhecia
era somente quando meu pai matava
porco ou frango para saciar a nossa fome.
AI-5 era simplesmente a forma
errada de dizer cinco ais,
de quando era surrado
pela minha mãe,
nada mais.

Andava quilômetros até a escola,
não tinha biblioteca nem livros,
nem diretora ou merenda.
Era um professor sozinho
que vinha da estrada de chão vermelho,
montado numa bicicleta velha.
Tinha, porém,
cuidados de sobra
com aqueles meninos-bichos.
E, como que por milagre,
ainda conseguia lhes ensinar
algumas coisas.
Alguns mais aventureiros,
no futuro tentariam até ser escritores,
relatando às vezes, a própria história
do mestre e seus pupilos.

Os vizinhos. Ah! Esses eram umas figuras.
Tinha o Tunico baixinho,
irmão do Zeca lelé,
que era irmão do Antônio ladrão.
Tinha o Eurípides e seu filho Astério,
que para qualquer dorzinha
vinha logo a receitar:
“fumu nu umbigo é bão”.
E tinha gente que acatava
esse remédio esquisito,
se curava, até hoje não sei.

Meus pais,
que jamais deixaram faltar-me o básico,
dando-me sustento, carinho,
senso e responsabilidade.
Viram crescer um homem comum,
prático e responsável,
forjado nas dificuldades,
curtido nas virtudes
e nos exemplos que teve.
Lapidado pela vida
não deu brilho forte,
também não se ofuscou,
nem tão pouco dilacerou-se,
simplesmente vingou-se;
vingou-se,
simplesmente.

Com a palavra, o poeta
“Hoje sou assessor jurídico do meu Município deste 01/01/1989, acho que deve ser o recorde de permanência num cargo comissionado, faço parte, com muito orgulho, do Quadro da Academia Catalana de Letras desde 24 de junho de 2005, devo ser o mais jovem a ingressar no Quadro de MEMBROS EFETIVOS, como se vê, não deu brilho forte, simplesmente vingou-se. - Ivan Luís Corrêa da Silva – meio poeta e doido por umas modas caipiras”.

Duduca e Dalvan

Segue abaixo o link de um LP de Duduca e Dalvan, passado para cd, em mas uma tentativa de resgatar as boas musicas que estão perdidas neste universo musical tão rico e tão esquecido(pelas gravadoras) que é o universo caipira.
Rainha da Noite
Ariel Camargo

V Luar do Sertão


Aconte na cidade Piacatu - SP. É um excelente trabalho de resgate da musica caipira, vem violeiros de varias cidades, é um encontro de talentos e tenho certesa que quem mais ganha com isso são os apreciadores da boa musica caipira...
Parabéns Helio, Parabens Prefeitura e todo o povo da maravilhosa cidade de Piacatu.
Em tempo, estaremos lá, apreciando e fazendo uma cobertura fotográfica, e estaremos publicando já na proxima semana.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Revista Viola Caipira

Boa tarde Cumpadres e Cumadres
O link abaixo é da Revista Viola Caipira, acessem, façam a assinatura, pois compensa...Viva a viola caipira, viva a musica caipira e viva a tatuzada!!!!

Viola Caipira

sexta-feira, novembro 03, 2006

Um tatu para defender a musica raíz



Taí cumpadres e cumadres agora, mais preparado que nunca para defender a boa musica raíz.

terça-feira, outubro 31, 2006

Tuta e Tota

(foto coletada no site www.boamusicaricardinho.com)








Boa Tarde Cumpadres e Cumadres

Segue um link de um cd desta dupla tão boa postado direto do grupo Caipira Raiz com o nosso cumpadre CLAUDEMIR TEIXEIRA DA SILVA, Valeu Cumpadre!!!

http://www.badongo.com/file/1635556

segunda-feira, outubro 30, 2006

Pagode

O Pagode



Bem antes, no começo de tudo, pagode era sinônimo de zoada feita no fundo do quintal. Como o samba. No fundo do quintal se costumava tocar, cantar, dançar, comer e beber. Num tempo não muito longe, pagode era, pois, o mesmo que festa, festança. Das mais puras, longas e bonitas. Varavam madrugadas inteiras. A cachaça dava no meio da canela. Sem forrobodó. - "Vamo prum pagode?" - Já se sabia: Vamos a uma festa na casa de fulano de tal. Pagode também é o mesmo que templo, construção suntuosa, grande, comum em alguns países asiáticos, onde pratica-se o exercício de adoração a deuses, figuras imponentes que o imaginário popular põe acima do bem e do mal. Há pagodes na China e no Japão, por exemplo. Fora isso, pagode é verbo intransitivo direto. Diz-se: - "Vamo pogodeá?" Quer dizer, vamos farrear, foliar, vadiar, festejar qualquer coisa. O termo ou expressão pagode também pode ser empregado no sentido de zombaria ou desfeita. Fulano é um tolo, vive no pagode. Coisa de vagabundo. Porém, o PAGODE também é um gênero musical muito bonito, como o baião, o forró, o batuque, o samba ou mesmo a bossa nova.



A História do Pagode



Entre janeiro e fevereiro de 1959; o mineiro de Montes Claros Tião Carreiro (José Dias Nunes) e o paulista de Bofete Carreirinho (Adauto Ezequiel) compuseram e gravaram, no dia 3 de março desse mesmo ano, uma musica a que deram o curioso titulo de Pagode, uma espécie de recortado sem ser recortado, que é uma forma de dança (e música) bastante comum no interior de São Paulo e outras regiões do país, como Rio de Janeiro e Minas Gerais. Foi aí que um compositor genial, Lourival dos Santos, chamou seu amigo Teddy Vieira a um canto prum dedo de prosa. Conversa vai, conversa vem, Tião foi chamado também para alguns esclarecimentos e troca de idéias. Logo após esse encontro, Teddy e Lourival compuseram, num novo ritmo (pagode) Pagode Em Brasília, originalmente gravado por Tião Carreiro e Pardinho há mais 34 anos. A criação desse gênero musical coincidiu com a inauguração de Brasília, o que levou seus autores a serem homenageados pelo presidente da República, Juscelino Kubitschek.



Os Criadores do Pagode



Teddy Vieira, cujo nome completo era Teddy Vieira de Azevedo, nasceu na cidade paulista de Itapetininga no dia 23 de dezembro de 1922 e morreu em 1965, no dia 16 de dezembro. Deixou cerca de 200 composições de sua autoria gravadas pelos mais destacados intérpretes da chamada música caipira. Lourival dos Santos, um paulista de Três Barras, distrito de Guaratinguetá, nasceu no dia 11 de outubro de 1917 e compôs, até agora, algo em torno de 1.300 músicas. Entre seus vários parceiros. destacam-se o próprio Teddy, Sulino, Raul Torres, Piraci, Jacó, Serrinha., Téo Azevedo, Jorge Paulo e, naturalmente, Tião Carreiro. - "Muita gente me pergunta como foi que aprendi a tocar viola. Praticamente aprendi sozinho, nunca tive um professor. No ano de 1950 eu tinha apenas 13 anos e cantava no Circo Giglio. O nome da dupla que eu formava era Palmeirinha e Coqueirinho e o proprietário do circo me disse que a dupla

de violeiros tinha que tocar viola e, na época, eu tocava violão. No mesmo ano veio cantar neste circo a dupla "Coração do Brasil" Tonico e Tinoco, na cidade de Araçatuba, em São Paulo. Durante o tempo em que eles estavam no hotel, Tinoco deixou a viola no circo e eu decorei a afinação escondido. Logo em seguida, ganhei uma violinha de presente, que foi pintada pelo Romeu, pintor lá de Araçatuba. A partir dai, me inspirei num dos maiores violeiros da época, Florêncio, da dupla Torres e Florêncio, infelizmente já falecidos, è hoje tenho a felicidade de ter a viola vermelha que pertenceu a ele .

Aproveito a oportunidade para agradecer a meu grande amigo Moreno, da dupla Moreno e Moreninho, que me cedeu a viola. Fiz uma grande homenagem, compondo juntamente com Jesus Belmiro uma moda com o título de "Viola Vermelha ". A minha homenagem a todos que abraçam e tratam a viola com carinho. Vou citar alguns nomes, como Almir Sater, Renato de Andrade, Zé do Rancho, Tião do Carro, Bambico, Airtom Vieira, Roberto Correia, Divino, Ronaldo da Viola, Goiano, maestro Oscar Safuan, Itapuã e Moreno. O sertanejo representa tudo para mim, porque eu vivo da música sertaneja, admirada por este povo. Além disso, eu praticamente vim da roça, comecei ainda pequeno, com uns 8 anos, a cuidar do arado e tocar violão. Gosto muito do homem do campo pela sua sinceridade, sua pureza, sua humildade. Isso faz com que eu o admire e respeite." José Dias Nunes, o Tião Carreiro , Montes Claros, MG, 1934.

Antônio Henrique de Lima, o Pardinho, São Carlos, SP, 1932.

Entre as novas duplas surgidas a partir da década de 50, Tião Carreiro e Pardinho São importantes a ponto de Nonô Basílio, caipira compositor e que trabalhou em diversas gravadoras, colocá-los em 1976 no primeiro lugar de sua lista de campeões de vendagem de discos, seguidos por Leo Canhoto e Robertinho e Lourenço e Lorival. quando se formou, em 1956, a dupla já acumulava extensos currículos individuais. Tião Carreiro, com o nome de Zezinho, fizera dupla com lenço verde ; foi também o Palmeirinha, em dupla com coqueirinho ; depois mudou Zé , para fazer dupla com Tietezinho e por fim substituiu Zé carreiro, adotando definitivamente o pseudônimo de Tião Carreiro. Pardinho começara cantando com Miranda, depois fizera dupla com Zé carreiro, vencendo o torneiro de violeiros realizado em 1956 pela rádio tupi de São Paulo. lá foram convidados por Teddy vieira para gravar na Columbia (atual Cs). em seguida Zé carreiro resolveu reviver a dupla com Carreirinho , e Pardinho topou o convite para cantar com Tião Carreiro. seu primeiro sucesso foi cavaleiro do bom Jesus ( João Alves-nhô Silva- Teddy Vieira). passando para a chantecler, a dupla gravou numerosos Lps, e entre seu repertório se destaca a beleza só ponteio, biografia de Tião Carreiro, letra do capitão furtado e música do próprio Tião . em 1970 a dupla atuou como intérprete principal do filme sertão em festa, dirigido por Osvaldo de oliveira . seu maior sucesso avulso é rio de lágrimas ( também conhecido como rio de Piracicaba ) , de Piraci- Lorival dos santos- Tião Carreiro ). e o lp de maior vendagem intitula-se levanta, patrão . Paulatinamente, a industria da produção musical caipira passou a trazer seus efeitos. em primeiro lugar , em contato com o mercado fonográfico, começou a abrir-se a novas influências, provenientes do meio rural de outros países. ("o rural é rural - diria um compositor caipira - no Brasil, nos estados unidos ou na china") . veio a guarânis paraguaia, o boleiro, a influência mexicana pelas canções de Miguel Aceves Majias, e a do meio-oeste americano. o cantor Bob Nelson fez muito sucesso apresentando-se como cow-boy e vertendo para o caipira a musica rural dos estados unidos.

Dessa forma, embora permanecessem os ritmos caipira - a moda - de viola, o cateretê, o cururu, a cana-verde, a moda campeira e o arrasta-pé -, o gênero estendeu-se muito mais, até incluir degenerações urbanas - como o iê-iê-iê .

Outra conseqüência da industrialização da música caipira foi a constatação de que seu público era muito pouco sensível a modismos passageiros. os discos do gênero, ao invés de apresentarem uma aguda de vendagem, atingindo o ápice para depois descer para o completo esquecimento, mantêm-se firmes por anos ou décadas, o que. Aliás, demonstra sua radiação cultural muito mais sólida . Por exemplo, Jorginho do sertão e azul cor de anil ( gravada em 1929). Boi amarelinho, em vez de me agradecer (estréia em disco de Tonico e

Tinoco) e muitas outras produções da década de 30, continuam sendo editadas, com vendagem segura e firme. e não se trata de casos esparsos: Tião Carreiro e Pardinho gravaram quase trinta Lps, e todos eles ainda sustentam vendagem e continuam em catálogo .

Essa circunstância não atenuou o preconceito das emissoras de rádio, das gravadoras e da TV contra a música caipira. muito ao contrário, logo a manutenção do preconceito se mostraria bastante lucrativa: os artistas caipiras, segredos do restante da música popular, podiam receber menos, garantir a baixo preço boas audiências em horários "infelizes", apresentar-se de graça, em busca de promoção . Empresários ligados a gravadoras continuaram o caminho de Cornélio Pires, mas, levados apenas pelo faro comercial, não arriscariam, preferindo transferir toda a possibilidade do prejuízo para seus contratados, e assumindo apenas os lucros .

Assim é que promovem caravanas, mas não levam os discos. Levam apenas os artistas que desejam se promover, pagos em comida e alojamento, só depois que estes conseguem prestígio é que promovem a gravação. dessa maneira conseguem shows baratíssimos, para depois editar discos com vendagem já assegurada . E os que cinqüenta anos de fonografia caipira tiveram, em resumo, estas conseqüência, segundo o sociólogo Valdenir "batatais" caldas : · A rápida proliferação das dupla era uma nítida demonstração de que o sucesso discófilo do gênero sertanejo estava assegurado . qualquer investimento nessa modalidade musical significava rentabilidade garantida . e nisso os empresário nunca titubearam. o resultado foi o progressivo crescimento da música "sertaneja" "novo estilo musical" e conseqüente perda de autonomia de seu compositores e cantores, que passavam a produzir não aquilo que sabiam e queriam mas o que lhe era determinado por elementos especializados em mercadologia por elementos "especializados" em detestar o gosto popular.

Nasce dessa forma, a canção sertaneja de caráter comercial, caráter esse que domina sua existência já desde tenra idade até os dias de hoje . "o meu boi morreu, que será de mim ? " Criou-se a carreira artística de músico caipira, de compositor do interior. e essa carreira precisava ser vivida nas cidades, juntos às gravadoras. Assim, enquanto a industrialização, na região sudeste, deslocava massas agrárias para as periferias das grandes cidades - onde suas formas culturais , arrancadas da origem, permaneceriam como marginais - , também o artista caipira devia deslocar-se de sua base cultural de inspiração para a cerveja das grandes cidades . · me dá uma cerveja .

Um bar no largo do Paissandu, no centro da capital paulistana, é o ponto de encontro dos caipiras em São Paulo. mais do que por qualquer injunção da indústria fonográfica , seu sucesso depende de abandonarem as raízes .

Tião Carreiro e Pardinho


TIÃO CARREIRO E PARDINHO

Tião Carreiro- nasceu em Monte Belo-MG, aos cinco anos , veio para Araçatuba ,foi criado numa fazenda paulista . Tocava em circos na região de Araçatuba , tocava violão , decorou a afinação da viola num show de Tônico e Tinoco passando as mãos nas cordas no camarim , admirava Florêncio o violeiro de Barretos de quem ganhou a famosa viola vermelha. Esta enterrado em São Paulo .Para ele ninguém tocava melhor que os violeiros de Barretos. Em 1955 mudou-se de Araçatuba para Val Paraíso . Em Pirajuí num circo conheceu Pardinho –nascido em São Paulo em 1932 , com que formou a dupla Tião Carreiro e Pardinho. Começaram a vida no circo Rapa Rapa , como ele mesmo dizia no circo “Nos éramos violeiros , cantores e amarra cachorro” , depois de seis meses vieram para São Paulo , até então Tião era Zé Mineiro , porém sua primeira gravação foi com Carreirinho substituindo o consagrado Zé Carreiro que estava doente , herdou o nome Carreiro e gravou 78RPMs dos quais a Continental selecionou 14 músicas para o Lp Meu Carro é Minha Vida lançado em 1962 , a dupla logo se desfez . Aí Tião carreiro e Pardinho gravaram seu primeiro sucesso “Cavaleiros do Bom Jesus” e “ Boiadeiro Punho de Aço”ambas de Teddy Vieira . O sucesso veio com “ Alma de Boêmio” cantando tangos e canções rancheiras . Em 1961 lançou o Rei do Gado de Teddy Vieira e seguiram com grandes sucessos.Em 1965 com a morte de Teddy Vieira , na gravação do programa Canta Viola de Geraldo Meireles na Cultura de São Paulo , Tião interrompeu com lágrima nos olhos , prestando desta forma sua homenagem ao compositor de Itapetininga , que o lançou em disco.

Em 1966 lança o Lp Pagode na Praça , consagrou pagode de viola e a criação de Carreiro , Teddy Vieira , Moacir e Lourival dos Santos , compositores paulistas que muito contribuíram para o sucesso de Tião Carreiro.

O Rio de Piracicaba ou Rio de Lágrimas de Piraci , Lourival , Tião Carreiro foi a consagração definitiva da dupla.Tião casara com Nair em Araçatuba em 1954 .

Em 1979 Tião Carreiro lança um Cd de solo de viola caipira.

JOSÉ DIAS NUNES, ou TIÃO CARREIRO, nasceu em 13 de Dezembro de 1934 e faleceu em 15 de Outubro de 1993. Era um compositor invejável, e na viola era primeiro sem segundo. Não seria exagero chamar o Rei do Pagode também de o Rei da Viola ou o Rei dos Violeiros, já que foi ele quem deu à viola e à moda de viola status e sua devida importância. Ele estava para a Viola assim como Pelé está para a bola. Que o diga Almir Sater, um de seus mais fiéis pupilos. Conta-se que depois de ouvir Tião tocar, Almir por pouco não desistiu da carreira de violeiro. A viola nas mãos mágicas de Tião Carreiro parecia ganhar vida própria, pois tão bem se entendiam. Fez escola! Cantou sob os pseudônimos de Zezinho, Palmeirinha, Lenço Preto e Zé Mineiro. Fez dupla com Lenço Verde, Lenço Branco e Zé Mineiro. Lenço Verde e Coqueirinho eram a mesma pessoa, Waldomiro, um primo de Tião. Nos anos 50, conheceu Diogo Mulero, o Palmeira , que o apresentou a Teddy Vieira, e este lhe deu a oportunidade de gravar o seu 1º disco , e o batizou de Tião Carreiro. Depois de gravar com Carrerinho; fez dupla com Pardinho (que foi o parceiro que mais o completou); Paraíso e por final Praiano.

ANTÔNIO HENRIQUE DE LIMA, ou PARDINHO,nasceu em São Carlos , em 14 de agosto de 1.932. Mestre no Violão, sua destreza nos solos podem ser ouvidas em seus discos gravados. Dono de um compasso incomparável, soube como ninguém dar a base perfeita para os solos de viola de Tião. Em todas as duplas que formou, fez sempre a primeira voz. Após o rompimento da parceria com Tião, fez dupla com Pardal e depois com João Mulato.
Tião Carreiro e Pardinho, merecidamente cominados "Os Reis do Pagode", são inegavelmente os maiorais desse gênero musical paulista, criado por Teddy Vieira (1922/ 1965) e Lourival dos Santos, em agosto de 1960. Em 1.954 se conheceram, e, em 1.956 gravaram o 1º de uma série de 15 discos de 78 Rpm .A partir daí, nasceu a dupla de maior fenômeno da música raiz. Tornaram-se ídolos! Cantaram em circos, cinemas e teatros, e por muitas vezes se viram forçados a repetirem seus espetáculos em duas ou três sessões. Apresentaram-se em quase todas as cidade interioranas de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Paraná. Dupla simples e amiga de todos, chegavam a se misturar à multidão admiradora, dada a sua simpatia e naturalidade. Freqüentemente encontravam-se com um sorriso nos lábios. Foram Artistas exclusivos da Gravadora Chantecler. Tinham seus discos rapidamente esgotados e tudo que faziam eram pensando em proporcionar melhor qualidade artística ao seu imenso público.


*Informações coletadas no site Viola Tropeira

sexta-feira, outubro 27, 2006

Links mais do que especiais

Bom Dia Cumpadres e Cumadres:

Estou postando uns links muito especiais, encontrados no Grupo Caipira Raiz, que por sua vez os recebeu do Cumpadre João Vilarim do site www.ponteiocaipira.com.br
e eu tomei a liberdade de postar para os visitantes deste blog
Um abraço Cumpadre Samuel "o Caipira do Sur de Minas e o grande violeiro João Vilarim


ATENÇÃO: SENHAS PARA OS ARQUIVOS:

PARA_OS_TATUS_DO_CAIPIRA_RAIZ&ACERVO_CAIPIRA


Belmiro & Belmonte
Discografia Completa
AQUELA MULHER - 1963

1) Aquela mulher - Guacy/Anacleto R. Jr.
2) A fronha - Belmonte/Anacleto R. Jr.
3) Desventura - Zacarias Mourão/Zé do Rancho/Biguá
4) Lábio cor de maça - George Ab
5) Amargo desgosto - George Ab
6) Ranchinho a beira mar - George Ab
7) Não me abandones - Zacarias Mourão/Zé do Rancho/Biguá
8) Fora da lei - B. Amorim/Walter Amaral
9) Juras de vaqueiro - George Ab
10) Quero esquecer - Cambará/Belmonte
11) Amor distante - George Ab
12) Caboclo brasileiro - Belmiro/Lazaro F. Godoy




File: Belmiro_&_Belmonte_(1963)_(Aquela_Mulher).rar
DownloadLink: http://rapidshare.com/files/785822/Belmiro___Belmonte__1963___Aquela_Mulher_.rar.html
File-Size: 62,94 Mb
Uploaded: 26/10/2006, 15:34:22


FILHO DE UM LAVRADOR - 1973

1) Pedras de lixo - Everaldo/Ferraz/Pequerobi
2) Queira-me muito - Gonzalo Roio/vers.:Amaraí
3) Minha terra distante - E. Ayala Baez/vers.:José Fortuna
4) Não tenho inveja - Milongueiro
5) Velho mosquito - Moreira/Venâncio
6) O filho de um lavrador - Meirinho
7) Eu vendo uns olhos negros - Osvaldi Silva/Ariovaldo Pires
8) Três companheiros - Zé Batuta
9) Onde está meu bem - Amaraí /Zé da Praia
10) Oração da minha amada - E. Ayala Baez /E. Martinez/vers.:Belmonte
11) Gente de minha terra - Goiá/Almir


TIBAGI & AMARAÍ

File: Tibagi_&_Amaraí_(1973)_(Filho_de_Lavrador).rar
DownloadLink: http://rapidshare.com/files/759482/Tibagi___Amara___1973___Filho_de_Lavrador_.rar.html
File-Size: 39,65 Mb
Uploaded: 26/10/2006, 11:47:41


TIBAGI & AMARAÍ
"aguardando imagem" 1) Um cavalo pampa - Amaraí/Hélio Alves/Ziltinho
2) Adeus Maria - Goiá/Sebastião Victor
3) Triste abandono - Goiá/Zacarias Mourão
4) Outra noite sem meu bem - Goiá/Waldemar de Freitas Assunção
5) Prefiro suportar a saudade - Juquinha/Amaraí
6) Travessa da amizade - Goiá/Sebastião Victor
7) Carta de filho - Goiá/Plinio Alves
8) Teu adeus é motivo de meu pranto - Jacó/Jacozinho
9) Santa Helena de Goiás - Goiá/AmaraÍ
10) Sem bolo e sem vela - Sebastião Ferreira da Silva/Tony Damito
11) A terceira caída - Ezequiel Mejia/vers.:Amaraí
12) Lição de cabloco - Goiá/Julião Saturno



File: Tibagi_&_Amaraí_(1974).rar
DownloadLink: http://rapidshare.com/files/771070/Tibagi___Amara___1974_.rar.html
File-Size: 54,57 Mb
Uploaded: 26/10/2006, 13:29:51

terça-feira, outubro 24, 2006

Brinquinho e Brioso


Embaixadores da Alegria

"Os Embaixadores da Alegria": Assim ficou conhecida a mais famosa Dupla Caipira do Vale do Paraíba, formada em São José dos Campos-SP no final da década de 1930. Segundo filho de Cecília e Theódulo Gaia, Thesis dos Anjos Gaia (o Brinquinho) nasceu na Capital Paulista no dia 20/07/1915 e faleceu também em São Paulo-SP no dia 22/05/1977. Euclides Honorato da Costa (o Brioso) era filho de Isaura e Francisco, tendo nascido em São José dos Campos-SP no dia 16/10/1913; faleceu na mesma cidade no dia 23/09/1991.

Thésis, por sinal, era irmão de Diésis dos Anjos Gaia, que foi o primeiro Ranchinho da inesquecível dupla Alvarenga e Ranchinho (o "Ranchinho Primeiro e Único" como afirmou Rolando Boldrin).

Thésis e Euclides se conheceram quando trabalhavam na Prefeitura Municipal de São José dos Campos-SP. Os dois andavam sempre juntos e viviam cantando músicas do repertório de Alvarenga e Ranchinho e, com isso, o Prefeito apelidou-os com os nomes de dois bois de uma parelha que ele tinha na sua fazenda: Brinquinho e Brioso.

No ano de 1939 a dupla "Brinquinho e Brioso" chegou a se apresentar juntamente com o Cornélio Pires e em 1940 foram contratados pela Rádio Atlântica de Santos-SP. Pouco depois seguiram para se apresentar na filial da Rádio Atlântica, em Niterói-RJ.

De volta à Capital Paulista, em Agosto de 1943, "Brinquinho e Brioso" lançaram um disco 78 RPM pela gravadora Columbia com a valsa "Cruel Destino" (Brinquinho - Brioso - Lauro de Souza) e o cateretê "Pé de Coquerá" (Brinquinho - Brioso - Abílio Machado), que é a música, cujo trecho o Apreciador ouve ao acessar essa página. No mesmo ano "Brinquinho e Brioso" lançaram "Moda dos Inventores" (Brinquinho - Brioso) e "Os Poetas na Moda" (Brinquinho - Brioso - Armando Rosas).

A dupla também se apresentou no "Feira de Amostras", programa que Blota Júnior apresentava na Rádio Cruzeiro do Sul na Capital Paulista. Integraram também a "Embaixada Sonora" que foi um conjunto artístico nos Diários e Emissoras Associadas de São Paulo-SP. "Brinquinho e Brioso" também fizeram temporada na Rádio Tupi do Rio de Janeiro-RJ.

No ano de 1944 "Brinquinho e Brioso" gravaram a rancheira "Cavalo Baio" (Buci Moreira - Conde) e a polca "Deliciosa" (Mário Gennari Filho) (essa última com acompanhamento de Acordeon a cargo do próprio compositor).

No ano seguinte a dupla se apresentou nas cidades de Belo Horizonte-MG, Salvador-BA e Recife-PE. Apresentaram-se também no "Show da Vitória" em Fernando de Noronha-PE que era na época uma Base Militar. Esse show se deu em homenagem aos "Pracinhas" que haviam sido convocados para integrar a Força Expedicionária Brasileira por ocasião da Segunda Guerra Mundial.

No mesmo ano de 1945 "Brinquinho e Brioso" gravaram a marcha "Alô, Mister Johnny" (Arlindo Pinto - Hélio Sindô) e o samba "Vá Pela Calçada" (Hélio Sindô - Vladimir de Melo). E em 1946 a dupla gravou a moda de viola "Caboclo de Azar" (Anacleto Rosas Jr.), o recortado "Fartura" (Anacleto Rosas Jr.) e a toada "Linda Serrana" (Anacleto Rosas Jr.).

Em 1950 "Brinquinho e Brioso" gravaram pela Continental as modas de viola "Cachorro Maiado" (Brinquinho - Brioso - Geraldo Costa) e "Etelvina" (Anacleto Rosas Jr. - Brioso). No ano seguinte eles gravaram a toada "Remorso" (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto) e o xote "Sertão do Paraná" (Brinquinho - Brioso - E. Barros).

Em 1952 eles gravaram as valsas "Parabens" (Nhô Zé - Álvaro) e "Eu, Você e o Luar" (Ciro de Souza - M. Silva). No ano seguinte a dupla gravou pela Odeon o cururu "Nossa Senhora de Nazaré" (Palmeira), a toada "Zeca Flauzino" (Nhô Zé - Brinquinho - Brioso) e o arrasta-pé "Meu Bem Não Chore" (Nhô Zé - Brinquinho - Brioso).

No ano de 1955 a dupla gravou a toada "Castigo de São Benedito" (Teddy Vieira - Jaime Ramos). E em 1959 gravaram o bolero "Beijo da Traição" (Etel - Branquinho) e o xote "Carta ao Macuco" (Etel - Farid Riskallah).

A marcha "Sanfona da Véia" (Brinquinho - Brioso - Raul Torres) é considerada como a música de maior sucesso da dupla "Brinquinho e Brioso", música essa que foi lançada por Raul Torres e Florêncio pela Todamérica no ano de 1951 e foi também regravada por Barnabé na Continental em 1965. E o inesquecível Mazaropi, também cantou essa marcha no filme "Mágoas de Caboclo", produzido e dirigido por Ari Fernandes, filmado em 1970 e, no ano seguinte, no filme "Betão Ronca Ferro", de Mazzaropi.

Calcula-se que "Brinquinho e Brioso" tenham deixado um acervo de cerca de uma centena de composições, tendo gravado um total de 42 músicas em 21 "bolachões" 78 RPM (entre 1943 e 1959), além de diversas composições que foram gravadas por diversos outros renomados intérpretes.

Em 2004 foi lançado pela JAC Editora (F.: (12) 3948-1274) o livro "Brinquinho e Brioso - Os Embaixadores da Alegria" escrito por Tita Selicani que resgata a História de Thésis e Euclides a partir de depoimentos de moradores de São José dos Campos-SP, além de familiares dos integrantes da dupla, e também de renomados artistas do quilate de Lima Duarte, Irmãs Galvão, Tinoco e Pena Branca, dentre outros.

Além de reproduzir Documentos e Manuscritos da época e fotos diversas de "Brinquinho e Brioso", o livro também cita a precariedade dos Meios de Comunicação numa época em que a Televisão ainda não existia e o Rádio ainda tinha muitas "limitações geográficas".

A "Madrinha" Inezita Barroso escreveu o Prefácio da Obra, afirmando que "...a Música Raiz está muito abandonada, por isso, é importante que as pessoas se interessem em saber o porquê dos Estilos Musicais, das Danças Folclóricas e das mais diversas Manifestações Culturais do Brasil."

*Informações colhidas no site www.boamusicaricardinho.com do nosso cumpadre Ricardinho