Este é um blog dedicado exclusivamente para o caipira, sua música, seus causos enfim tudo que tenha a ver com a vida simples do homem do campo. Aqui vc vai encontrar links para sites que tem interesse no resgate e preservação deste estilo.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Indio Vago

A postagem abaixo foi coletada no Grupo Caipira Raiz, postada pelo Cumpadre Samuel (O Caipira do Sur de Minas), que por sua vez extraiu da Revista Viola Caipira, Edição 2006, número 12

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Nhô Belarmino e Nha Gabriela


Salvador Graciano, o Nhô Belarmino, nasceu num lugarejo chamado Santaria, pertencente a Rio Branco do Sul-PR no dia 04/11/1920 e faleceu em Curitiba-PR no dia 20/06/1984. Sua esposa Júlia Alves Graciano, a Nhá Gabriela, nasceu em Curitiba-PR no dia 28/07/1923 e faleceu também em Curitiba-PR no dia 28/03/1996.

Salvador começou bem cedinho: com apenas oito anos de idade, já gostava de cantar e alegrar a vizinhança contando anedotas. Sendo de família de músicos, Salvador Graciano aprendeu tocar diversos instrumentos musicais, dentre eles, a Viola e a Gaita (Pequeno Acordeon) de Oito Baixos.

Foi aos 14 anos de idade que Salvador adotou o nome artístico de Nhô Belarmino por ser, segundo ele, "um nome exótico e gozado". E em 1935, aos quinze anos de idade, ele costumava se apresentar juntamente com sua irmã Pascoalina em festinhas nas redondezas de sua Rio Branco do Sul natal. Era a dupla "Nhô Belarmino e Nhá Quitéria", que permaneceu ativa durante quatro anos. Com o casamento da irmã Pascoalina, o marido não quis que ela continuasse com a carreira artística e, conseqüentemente a dupla se desfez.

Sua primeira composição foi "Linda Serrana" (Nhô Belarmino), em 1936, quando contava 16 anos de idade. Nessa época, Nhô Belarmino integrava o regional da PRB2, a Rádio Clube Paranaense; esse conjunto acompanhava os cantores que na época se apresentavam ao vivo na renomada emissora.

Em 1939 (após a separação da dupla "Nhô Belarmino e Nhá Quitéria"), Nhô Belarmino formou uma dupla com Chiquinho Montalto, dupla essa que participou de diversos programas na Rádio Clube Paranaense. E foi nessa famosa emissora de Curitiba-PR que Nhô Belarmino conheceu Júlia Alves, que veio a ser sua esposa em 23/12/1939 e com quem também formou a dupla "Nhô Belarmino e Nhá Gabriela", que veio a ser a mais famosa e representativa Dupla Caipira Raiz do Estado do Paraná.

Tudo aconteceu por volta de 1937, quando Júlia trabalhava numa fábrica de tecidos na Capital Paranaense. Numa tarde, quando o material de confecção havia se acabado, as funcionárias haviam sido dispensadas mais cedo. Resolveram então acompanhar uma colega de trabalho num ensaio na Rádio Clube Paranaense, já que ela participava de um programa de calouros. Chegando à emissora, Júlia conheceu Salvador e iniciaram o namoro que resultou no casamento que durou 45 anos, com os filhos: Clóris, Ivan e Rui.

"Nhô Belarmino e Nhá Gabriela" iniciaram profissionalmente em meados de 1940 quando Nhô Belarmino promoveu um show no bairro de Santa Cândida. Nesse dia havia chovido bastante e os outros artistas da equipe não puderam chegar ao local. Como a chuva, no entanto, foi passageira, o povo compareceu e lotou o salão. Bilheteria aberta, público chegando, ingressos que não podiam ser devolvidos... E os artistas não chegavam! Então Júlia mais algumas primas e amigos resolveram improvisar: uns declamavam, outros contavam piadas e Nhô Belarmino cantava.

E em dado momento Júlia e Salvador resolveram cantar juntos o famosíssimo valseado "Cavalo Zaino" (Raul Torres). E agradaram de tal maneira que foram convidados a fazer outras apresentações em outros dias! Nascia então, quase que por acaso, a dupla "Nhô Belarmino e Nhá Gabriela".

Nhô Belarmino "batizou" a esposa e companheira de dupla com o nome artístico de Nhá Gabriela em homenagem a uma tia dele que apreciava bastante a Música Caipira.

Em 1942, acompanhados por Nhô Dito (Chiquinho Montalto), Júlia e Salvador formaram o "Trio Caipira" que estreou nesse mesmo ano com bastante sucesso na PRB-2, a Rádio Clube Paranaense.

Em 1948 transferiram-se para a ZYM-5 Rádio Guairacá permanecendo nessa emissora por mais de 20 anos, animando diversos programas de auditório. Nessa época, músicas como "Passarinho Prisioneiro" (Luiz Vieira Filho - Nhô Belarmino) e "Linda Serrana" (Nhô Belarmino) passaram a ser conhecidas e cantadas por seus ouvintes.

Com o sucesso alcançado no Estado do Paraná, Nhô Belarmino e Nhá Gabriela tornaram-se famosos em vários locais do Brasil. A dupla chegou a trabalhar por um ano na Rádio Gaúcha em Porto Alegre-RS, e também por vários meses na Rádio Guanabara (hoje Bandeirantes) no Rio de Janeiro-RJ, além de vários programas na Rádio Bandeirantes de São Paulo-SP, dos quais também participaram. A foto acima e à direita foi gentilmente enviada pelo Radialista, Produtor e Pesquisador Maikel Monteiro de Curitiba-PR (ver abaixo nas Referências Bibliográficas).

Nhô Belarmino e Nhá Gabriela gravaram o primeiro disco em 1953, na RCA-Victor (hoje BMG), com as músicas "Linda Serrana" (Nhô Belarmino) e "Parabéns Paraná" (Nhô Belarmino - Pereirinha). Essa gravação fez parte das comemorações do Centenário de Emancipação do Estado do Paraná.

E, nos demais discos que se seguiram, Nhô Belarmino gravou cantando em dupla com sua esposa e também solando o Acordeon, em composições tais como "Dançando Descalço" (Nhô Belarmino), "Brincando com Oito Baixos" (Nhô Belarmino), "Mocinhas da Cidade" (Nhô Belarmino), "Paranaguá" (Nhô Belarmino), "Mocinhas do Sertão" (Nhô Belarmino), "Passarinho Prisioneiro" (Luiz Vieira Filho - Nhô Belarmino), "Defendendo O Meu Sertão" (Nhô Belarmino), "Moreninha do Vanerão" (Lord Wilson - Ubiratan), gravações que foram sucesso não só em Curitiba-PR e Região, mas também em todo o Brasil.

O primeiro LP da dupla foi gravado em 1961 pela RCA-Camdem (hoje BMG). E, ao longo da carreira, Nhô Belarmino e Nhá Gabriela gravaram 17 Discos 78 RPM, 3 Compactos (Vinil) e 11 LP's, sendo que Nhô Belarmino foi compositor de cerca de 99% das músicas gravadas pela dupla.

Nhô Belarmino teve diversos parceiros na composição, destacando-se dentre todos, o amigo Moacyr Ângelo Lorusso. Compositor incansável, Nhô Belarmino estava sempre compondo alguma coisa. Foi nesse mesmo ano de 1953 que veio o estrondoso sucesso do "Passarinho Prisioneiro" (Luiz Vieira Filho - Nhô Belarmino). E em 1959 veio a consagração definitiva no cenário musical brasileiro com a gravação do famosíssimo clássico "As Mocinhas da Cidade" (Nhô Belarmino), cujo sucesso rendeu à dupla diversas viagens pelos mais diversos Estados Brasileiros em shows e apresentações que foram memoráveis.

Além das gravações em disco e das participações em programas na Rádio Guairacá e na Rádio Clube Paranaense, em companhia de seus filhos Cloris e Ivan, Nhô Belarmino e Nhá Gabriela também apresentaram na TV durante vários anos o programa "Minha Palhoça" e também o "Rancho de Belarmino e Gabriela", programas nos quais eles se apresentavam com diversas duplas paranaenses, tais como "Nascimento e Zeloni", "Mensageiro e Mexicano", "Leonel Rocha e Campos", além de outras duplas já consagradas em todo o Brasil, tais como Tonico e Tinoco e "Léo Canhoto e Robertinho".

O casal também se apresentou em diversos circos e teatros na Capital Paranaense, e também no Interior do Estado, além dos Estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. "Passarinho Prisioneiro" (Luiz Vieira Filho - Nhô Belarmino) e "Mocinhas da Cidade" (Nhô Belarmino) são sem dúvida os maiores exemplos do seu sucesso no Paraná e em todo o Brasil.

"Mocinhas da Cidade", por sinal, foi gravada por inúmeros intérpretes, inclusive pelo cantor "luso-brasileiro" Roberto Leal, além da belíssima gravação de Pena Branca, no CD "Semente Caipira", gravado na Kuarup Discos, que foi por sinal o primeiro CD que Pena Branca gravou após o falecimento do seu irmão e companheiro Xavantinho.

De acordo com Ubiratan Lustosa, Estudioso do Rádio no Estado do Paraná, em sua excelente História do Rádio Paranaense, em seu site Nosso Encontro Com Ubiratan Lustosa, "Na vida particular, Salvador e Júlia eram um casal unido, simpático, simples, que gostava de receber os amigos em suas casas em Curitiba e na litorânea cidade de Matinhos".

Após vários anos de sucesso, um derrame cerebral vitimou Nhô Belarmino na década de 1980 e interrompeu a carreira musical e as apresentações da dupla.

Rolando Boldrin convidou Nhô Belarmino para participar do seu programa e cantar “Passarinho Prisioneiro" (Luiz Vieira Filho - Nhô Belarmino), música que há mais de 30 anos atrás já tinha uma Mensagem Ecológica e da qual o criador do inesquecível "Som Brasil" era fâ desde criança.

Nhô Belarmino, sem ensaio e há vários dias sem exercitar a voz, não queria interpretar o "Passarinho Prisioneiro". Seu filho, o Acordeonista Ivan Graciano, também compositor, explicou ao Rolando Boldrin sobre o problema de saúde de seu pai. Rolando pediu então que Nhô Belarmino cantasse uma musica mais simples; e o próprio Rolando Boldrin decidiu ele mesmo interpretar o "Passarinho Prisioneiro”, até que Nhô Belarmino também começou a cantar junto com o Rolando...

...“você não sabe o bem que fez a meu pai...” Foi o que Ivan Graciano disse depois ao "Cantadô" Rolando Boldrin.

Foi no ano de 1983 a última gravação de Nhô Belarmino cantando, quando ele regravou "As Mocinhas da Cidade" no álbum "Curitiba Cidade da Gente". Pouco tempo depois, em seu último trabalho, ele participou de um Compacto Simples (Vinil) apenas tocando; quem cantou no compacto “Salve, Salve Paraná” e "Moro Lá” foi sua esposa Nhá Gabriela.

E no mês de Junho de 1984, Jurandir Ambonatti organizou diversos espetáculos comemorativos dos 60 anos da Rádio Clube Paranaense. A convite do radialista Léo Pereira, genro de Nhô Belarmino e Nhá Gabriela, eles estiveram presentes no antigo Ginásio do Clube Atlético Paranaense, completamente lotado.

Nhô Belarmino subiu ao palco conduzido numa cadeira de rodas. Ao lado de Nhá Gabriela, ele resolveu cantar e foi entusiasticamente aplaudido, tendo sido talvez uma das maiores ovações de sua carreira artística.

Com esse novo alento, Nhô Belarmino chegou a pensar em retornar aos palcos. Mas foi a última apresentação, pois ele faleceu poucos dias depois, nesse mesmo ano de 1984.


Alguns anos depois, Nhá Gabriela, incentivada pelos familiares, voltou a cantar, tendo feito dupla com seu filho Ivan Graciano, até o dia em que ela também adoeceu, vindo a falecer, em 1996, 12 anos depois de seu esposo Nhô Belarmino.

No ano de 1978, Mário Vendramel entrevistou a Nhô Belarmino e Nhá Gabriela e para o Museu da Imagem e do Som. Ao que consta, tamanho é o descaso com a Cultura, a Fita Magnética se deteriorou pela ação do tempo e não se sabe se ainda existe algum registro dessa entrevista de Nhô Belarmino e Nhá Gabriela no Museu da Imagem e do Som.

Ivan Graciano, por outro lado, mantém a atividade artística como Compositor, Acordeonista, Produtor Fonográfico e Presidente da Ordem dos Músicos do Paraná. Proprietário da BG Gravações, (fundada em 1977 juntamente com Nhô Belarmino), onde Nhô Belarmino e Nhá Gabriela chegaram a gravar dois LP's, Ivan vem proporcionando aos mais humildes Artistas Regionais que eles possam gravar os seus sonhados CD's. Ivan é também conhecidíssimo animador das noites curitibanas, sendo que foi dos primeiros a perceber as potencialidades do Forró, coordenando seus animados bailes populares na Sociedade União Bacacheri.

De acordo com o Jornalista Aramis Millarch, em seu Tablóide Digital, Ivan também chegou a apresentar o "Forró de Nhô Belarmino e Nhá Gabriela" no simpático bairro Santa Felicidade na Capital Paranaense, local esse que acabou tendo o alvará cassado por intrigas políticas. Após o episódio, Ivan, com um "público cativo e seguro", levou a apresentação a outros espaços na Sociedade Rio Branco, no bairro do Ahu de Baixo, depois em São José dos Pinhais-PR, no Barigui do Seminário e finalmente no "Arco Íris" (Avenida Churchil Nº. 309) (local hoje arrendado ao músico Marabá (Antonio Pereira dos Santos)).

Em Curitiba-PR, no Centro da Cidade, pode-se visitar, no cruzamento da Rua Cruz Machado com a Alameda Cabral, a "Fonte Mocinhas da Cidade", que homenageia Nhô Belarmino e Nhá Gabriela. Com desenhos do Artista Fernando Canalli, possui colunas com pinhões nos capitéis que emolduram quadros de azulejos com versos da letra da música “Mocinhas da Cidade" (Nhô Belarmino), que foi sem dúvida o maior sucesso da dupla.

E, de acordo com o Deputado Rafael Greca de Macedo, idealizador da "Fonte Mocinhas da Cidade", "Para que não nos esqueçamos de nós mesmos. Porque a Cidade somos nós que fazemos. E uma cidade é o conjunto de seus poetas, a memória de seus cantores, a perene lembrança de seus músicos e compositores. Generoso, o povo alimenta os artistas com inspiração e aplauso. Recebe de volta, no ciclo da criação, as harmonias compostas." Citado no dia 26/03/2003, no sétimo aniversário de falecimento de Nhá Gabriela.

* Informações coletadas no site Boa Musica Brasileira do nosso cumpadre Ricardinho

terça-feira, janeiro 02, 2007

2007 chegou

2007 chegou e como todo ano que começa, a gente faz planos, alguns que nunca vão se tornar realidade... mas todo ano é assim e assim caminha a humanidade...
Desejo que todos os cumpadres e cumadres realizem seus sonhos, seus planos, que a nossa luta pela defesa e resgate da musica caipira, seja mais frutifera do que foi no ano que passou (e olha que foi produtivo).
A turma do Viola Enluarada deseja a todos os tatus, um excelente ano de 2007, com muita musica raiz, e tudo que ela significa para nós

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Anacleto Rosas Junior


Nasceu aos 18/07/1911, em Mogi das Cruzes-SP, e faleceu em 04/02/1978 em Taubaté-SP.
Filiação: Anacleto Rosas, natural da Espanha, e Maria Bourbon, natural da Itália.
Foi o 3º numa prole de sete filhos.
O pai tinha armazém, padaria e açougue. Os irmãos ajudavam o pai no comércio,auxiliando-o no atendimento ao público. Todos os irmãos exerciam a função de balconista, menos Anacleto, que adorava animais e exercia a função de entregador. Fazia todas as entregas de compras e pães de charrete e carroça. Teve dois animais de estimação, Mimo e feitiço.
O cachorro Mimo buscava os animais no pasto e mordia-os no calcanhares; só parava de mordê-los quando chegavam. Feitiço, um burro, era bonito e esperto. Tomava conta do pasto. As pessoas estranhas não podiam aproximar-se do pasto, pois, Feitiço ficava furioso e avançava na tentativa de atacá-los. Só ficava calmo quando Anacleto chagava e o acariciava. Foi um transtorno para algumas pessoas.
Anacleto passou a infância e adolescência na cidade de Poá-SP, próxima à sua cidade de origem. Desde garoto gostava de cantar e tocar violão, juntamente com os irmãos. Na adolescência adorava fazer serestas e as fazia muito bem. Apaixonou-se por Clementina, conhecida por Tina, em sua seresta. Tina era uma graciosa jovem de 15 anos e Anacleto a conhecia desde criança. Sempre foi muito extrovertido e irreverente.
Todos os casamentos religiosos de Poá-SP eram realizados em Mogi das Cruzes-SP, devido à falta de padres na cidade. O padre não quis ir à Poá realizar o casamento de Anacleto e Clementina.
Casou-se apenas no civil em janeiro de 1932, embora na época o casamento religioso fosse de suma importância para a sociedade. Foi um escândalo!
O casamento religioso foi discretamente realizado pelo padre Cícero, quando completaram Bodas de Prata; a cerimônia foi realizada no Santuário de Santa Terezinha de Taubaté-Sp.
Após o casamento, residiram pouco tempo na cidade de Poá-SP, Mudando-se para São Paulo, capital. O casal teve três filhos, Luiz Rosas Sobrinho, Rubens Rosas e Cleusa Rosas.
Luiz e Cleusa adoravam música como o pai, cantavam e tocavam instrumentos musicais. Formaram o Trio Turuna; faziam parte do Trio: Luiz, Cleusa e Teodoro. Fizeram muito sucesso na época. O Trio Turuna, sempre obteve a supervisão de Anacleto e todas as músicas que cantavam eram de composição dele.
Anacleto nunca estudou música; as inspirações para as composições surgiam principalmente de madrugada. Durante o dia pegava o violão e fazia melodia.
Começou a compor Valseados, Rancheiras, Sambas e Tangos por volta de 1930.
Recebia com freqüência, em sua casa, vários cantores e compositores famosos da música sertaneja. Tais como: Tonico e Tinoco, Mário Zan, Limeira e Zezinha, Torres e Florêncio, Palmeira e Luizinho, o compositor Arlindo Pinto, Motinha, Mariazinha, Vieira e vários outros artistas. Fez muitos shows no Vale do Paraíba, Sul de Minas e uma tournê pelo norte do Paraná.
Suas composições de maiores sucessos foram:
• "Cavalo Preto", feita em 1945, foi a primeira moda campeira, consagrando-o pioneiro da música campeira no Brasil. Na época todas as duplas queriam gravá-la. Quem gravou primeiro foi a dupla Palmeira e Luizinho, logo após regravada por Sérgio Reis, Tonico e Tinoco e vários outros. Continua sendo um sucesso até os dias de hoje. Foi regravada em japonês, sendo uma das trilhas sonoras da novela "Pantanal", na voz de Sérgio Reis, exibida pela TV Manchete no Brasil e no exterior.
• "Os Três Boiadeiros", gravada pela dupla Pedro Bento e Zé da Estrada, tema do filme " Os Três Boiadeiros ".
• "Fogo no Rancho", tema do filme "Jeca Tatu", de Mazzaropi.
• "Aparecida do Norte", dupla Tonico e Tinoco, tema do filme " Nossa Senhora de Aparecida ". A música foi composta dentro de um ônibus, quando Anacleto retornava de Aparecida-SP, onde vendia seus discos. Foi o primeiro compositor a homenagear a cidade e a Santa Padroeira do Brasil.
• "Presépio da Serra", homenagem a cidade de Campos do Jordão-SP.
• "Baldrana Macia", gravada pelo saudoso Luiz Gonzaga.
• "Cortando Estradão", regravada pela dupla Sérgio Reis e Almir Sater, executada na novela " O Rei do Gado ", exibida pela rede Globo de televisão no Brasil e no exterior.
• "Confissão", "A Cruz de Ferro", "Filho de Mato Grosso", "Flor Matogrossense", "Zé Tartuiano", "Zé Valente", "Boi de Carro", "Burro Picaço", "Vaca Mestiça", "Mil e Quinhentas Cabeças", "Timidez", "Na ponta do Reio", "Surrei de Chicote".
Segundo a "Revista Sertaneja", de dezembro de 1959, Anacleto tinha 430 composições e fez 60 para a dupla Tonico e Tinoco. Foi convidado em 1960 para ser Diretor Artístico do Selo Sabiá Copacabana Discos e aceitou. Seu trabalho foi um sucesso, deu oportunidades a novos talentos. Dirigiu a notável e fabulosa gravação do LP "Canto de Aves do Brasil". Tratava-se de Cantos de Aves gravada pelo engenheiro industrial Dalgas Frisch, focalizando vozes de pássaros de nossa terra. O roteiro foi de Martin Bueno Mesquita, e produzido por José Carlos de Magalhães e biologistas do departamento de Agricultura de São Paulo.
Oswaldo Calfat com sua voz bonita foi narrador sóbrio e correto.
Com a edição desse disco o Brasil tornou-se pioneiro no mundo em gravações realizadas em plena natureza, dos cantos das aves sul-americanas.
Anacleto trabalhou na Rádio Difusora do Paraná, Rádio clube de São José dos Campos-SP e, por vários anos, na Rádio Difusora de Taubaté-SP.
Criou o programa "Manhas Sertanejas", na Rádio Difusora de Taubaté-SP, hoje dirigido pelo filho Luiz Rosas. Prestava serviço a utilidades pública, dava os famosos "Alôs" para a zona Rural, alegrava os ouvintes com seu jeito engraçado e extrovertido. O programa tinha muita audiência.
Fundou também na Rádio Difusora, juntamente com Trio Turuna, o programa "Sertão do Caboclo", também de grande audiência.
Os seus programas de rádio eram ouvidíssimos e dominava toda a região do Vale do Paraíba e Sul de Minas Gerais. Com sua voz tipicamente sertaneja, agradava dezenas de emissores do Estado e todas o convidavam para se apresentar na região. Quando tirou férias, atendeu todos os pedidos solicitados. Na época quase todas as duplas sertanejas do Brasil gravavam suas melodias. As duplas faziam questão de gravar porque suas gravações não enferrujavam nas prateleiras das casas de disco. Era um dos campeões de vendagem de disco, pois as gravações de sua autoria ultrapassavam a casa de um milhão.
Em 09/12/1961 recebeu o diploma de honra na qualidade de diretor artístico, expedido pela Sociedade de Amigos do Jardim Novo Osasco.
Em 13 de maio de 62 recebeu o diploma de honra ao mérito, confirmando o êxito de sua batalha em defesa da música sertaneja, expedido pela Bandeira União e Amizade de São Paulo.
Em 15/06/1969 o governador paulista Abreu Sodré com justo orgulho, conferiu a Anacleto o diploma de reconhecimento pela participação nos festejos comemorativos da TV Cultura de São Paulo.
Em 29 de abril de 1970 recebeu da Câmara Municipal de Campos do Jordão o diploma de reconhecimento pelos relevantes serviços prestados ao município.
Em 30/09/1977 recebeu da Câmara Municipal de Taubaté-SP o diploma de Cidadão Taubateano.
Após 1978, ano de seu falecimento, a dupla Tonico e Tinoco gravou LP, homenageando e relembrando Anacleto. O nome do LP "Rancho Vazio", com 12 músicas, todas de composições de Anacleto ( 7 músicas em parcerias e 5 somente dele ). Na capa do disco um acróstico com o nome e o sobrenome de Anacleto. Foi um sucesso.
Anacleto foi um homem simples, dormia e acordava cedo, não consumia bebidas alcóolicas, gostava de alimentos saudáveis. Era alegre, extrovertido e irreverente.
Não gostava de gente presunçosa, dizia que era gente de "nós nas costas". Ajudava muito pessoas necessitadas.
Excelente marido, pai, avô e amigo. Não ficou rico com suas composições e vida artística. Viveu uma vida plena e feliz, deixando muitas saudades.

Informações coletadas no site Beira Rio

Souza e Monteiro

Nascidos no Estado de São Paulo, José Braz de Souza e seu companheiro Monteiro formaram a dupla no início da década de 1950 na cidade de Taubaté-SP.

Antes, porém, existiam as Duplas Caipiras "Artilheiro e Fumaça" e também "Patativa e Pintassilgo", as quais atuavam nessa cidade do Vale do Paraíba, e que dividiam o palco nos diversos circos, festas e programas de rádio. Segundo consta, ambas as duplas não chegaram a gravar nenhum disco.

Até que um dia o compositor Anacleto Rosas Junior havia chegado a Taubaté-SP, onde passou a morar. Influenciados por Anacleto, as duplas foram desfeitas e o Patativa formou uma nova dupla com o Fumaça, tendo adotado, algum tempo depois, os nomes de Souza e Monteiro, respectivamente, aproveitando os seus verdadeiros sobrenomes para formar o nome da dupla.

Também foi Anacleto Rosas Junior que levou à nova dupla à gravação do primeiro disco, na gravadora Todamérica em 1953, com as marchas campeiras "Boiadeiro Bão" (Anacleto Rosas Jr. - Arlindo Pinto) e "De São Paulo ao Rio Grande" (Anacleto Rosas Jr.).

No mesmo ano, gravaram o segundo "bolachão" 78 RPM com a moda campeira "Vaca Mestiça" (Anacleto Rosas Jr.) e o cururu "A Volta do Canoeiro" (Anacleto Rosas Jr.).

Em 1954, Souza e Monteiro gravaram mais 3 discos 78 RPM, com destaque para as modas campeiras "Resposta à Baldrana" (Teddy Vieira - Lauripes Pedroso) e "João Gaiteiro" (Teddy Vieira - Zé Ribeiro), além da moda de viola "Goianinha" (Ado Benatti - Patativa).

No ano seguinte, foi apenas um disco gravado, com destaque para o valseado "Amor Passageiro" (Teddy Vieira - Biguá). E, em 1956, Souza e Monteiro gravaram três discos, com destaque para a toada "Velho Moinho" (Elpídio dos Santos) e o cururu "Amor Perfeito" (Nhô Fio).

E, em 1957, a dupla gravou dois discos 78 RPM, com destaque para a moda campeira "Terras do Paraná" (Anacleto Rosas Jr. ).

Em 1959, Souza e Monteiro trocaram a Todamérica pela Continental, onde a dupla gravou um disco 78 RPM com a guarânia "Feitiço espanhol" (Geraldo Costa - Goiá) e o xote "Filho de Guarapuava" (Souza - Cachoeirinho)
E, em 1962, nova troca de gravadora, dessa vez no selo Caboclo, a dupla gravou mais um disco 78 RPM, destacando a polca "Pequena Homenagem" (Souza - Domingos Greco).

Ao que consta, foram apenas 13 "bolachões" 78 RPM, com 26 músicas no total, o repertório gravado pela dupla "Souza e Monteiro", dupla essa que durou bem pouco e se desfez no início da década de 1960. Apesar da pouca duração, a dupla deixou sua importante contribuição e faz parte da História da Música Caipira Raiz.

Informações coletadas no site Boa Musica Brasileira do nosso cumpadre Ricardinho

terça-feira, dezembro 26, 2006

Um presente de natal

Boa Tarde Cumpadres e Cumadres.

Espero que a Festa de Natal tenha sido maravilhosa...com muita oração, louvor ao nascimento do Cristo Jesus. Tambem bastante musica caipira e uma boa branquinha.

Segue a abaixo um link que o cumpadre Daniel Viola postou lá no Grupo Caipira Raiz e é supimpa.

http://www.youtube.com/watch?v=t4B2HFUDXG0

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Pessoas e grupos que merecem nossos parabéns

Quero aqui fazer uma justa homenagem a alguns cumpadres que labutam para que a musica caipira nao perca o seu trono...
Samuel dos Reis Garcia - criador e um dos moderadores do grupo Caipira Raiz
Claudemir Teixeira da Silva - do grupo Cantinho Sertanejo
Cleber Thomas Vianna - do site Casa dos Violeiros
Elsio Oliveira (Elsio Poeta) - Moderador do Grupo Caipira Raiz
Luciano Queiroz - Luthier - www.lucianoqueiroz. com
Cumpdre Ricardinho - site Boa Musica Brasileira
e é claro a grande cumadre Leila Senna a tatuzinha mais caipira da net do Grupo Acervo Caipira.
São pessoas assim como estas acima citadas que me dá a certeza de que a luta não é ingloria.
Com certeza ficou muita gente para traz, que merece tambem destaque, mas esses companheiros não serão esquecidos.
Desejo a todos esses companheiros de luta, muita paz, alegria, saúde e é claro muita musica raiz!!!!
QUE DEUS COM A INTERCESSÃO DE SÃO GONÇALO ABENÇOE A TODOS VOCES E AS SUAS FAMILIAS


IV Encontro de Violeiros

Acontece neste sabado na cidade de Iacri, mais precisamentente no Bar do Ivo o IV Encontro de Violeiros. A apresentaçao ficara a cargo do grupo Viola Enluarada,
com inicio previsto para as 19:30. As tres primeiras versões foram um tremendo sucesso, oque aumenta a espectativa deste ano.
Viva a Viola Caipira, e viva os incentivadores da boa musica raiz!!!

quinta-feira, dezembro 14, 2006

João Araújo

João Araújo é cantor, compositor, instrumentista, produtor e cronista. Natural de Contagem, Minas Gerais, começou a aprender a tocar violão aos 12 anos de idade, nos idos de 1979, por causa da insistência de Zé Antônio, do Grupo Viola Urbana.
Em 1996 e 1997 dirigiu dois laboratórios musicais no Colégio Anchieta , em Belo Horizonte - MG, ambos voltados à iniciação musical de jovens : O Grupo Vocal e o Curso de Monitoramento à Distância de Violão Popular;
Em 1998 coordena o Grupo Muleke, só de adolescentes, que começam do zero e formam uma banda de samba que chegou a se apresentar pra 5.000 pessoas, no carnaval do ano seguinte;
Em 1999, participa ainda como arranjador, instrumentista e segundo vocalista do grupo de Márcio Guima, sobrinho de Clara Nunes, no show "Salve Clara, Salve ela" , em homenagem aos 15 anos de falecimento da grande cantora mineira.
Começou a tocar profissionalmente com mais freqüência a partir deste ano,1999, em função da gravação de seu primeiro CD ( Festival ), que é uma amostra das suas composições bem do seu jeito : completamente irriquieto, sem gostar de ficar se repetindo num mesmo estilo, e atuando em várias frentes ao mesmo tempo.
Em 2003 coloca no ar seu site pessoal, e começa a narrar as histórias reais que passou como músico da noite, em forma de crônicas.
Em 2004 começa o projeto Viola Urbana, formando o grupo com Zé Antônio, Marisa Minas e Ronan Peres pra comemorar 25 anos de aprendizado, admiração e respeito à música de seu país. Produz o Cd e o site com a pesquisa Viola Urbana , a serem lançados em 2005, quando também participa como colaborador do Projeto Signus do Universo Roseano, um trabalho de resgate e registro de valores culturais junto à comunidade de Cordisburgo - MG. Terra da Gruta de Maquiné e de Guimarães Rosa, Cordisburgo também é terra natal de seu avô, João Pança, pra quem prepara, paralelamente, um livro-homenagem com as histórias dele que as pessoas da cidade ainda contam , mesmo após 25 anos de falecimento !

Segue uma cronica de João Araujo

LUGAR ERRADO

"Tocar na noite? isto não é trabalho, é prazer!"

Taí outra frase também muito desferida pelos mortais comuns. Eu sempre respondo que existem muitas coisas que são prazerosas.Como fazer amor, por exemplo. Mas vai fazer isso por dinheiro, pra você ver!...A perspectiva muda, com certeza. As pessoas desconhecem muito do nosso mundo de tocador ! Também, várias vezes nós estamos no lugar errado, na hora errada. É o caso, muito comum em BH, dos shows em Shoppings Centers. As pessoa estão lá para tomar um chopinho, relaxar depois do trabalho, conversar, paquerar, etc. E o bobão fica lá, atrapalhando, mendigando um pouquinho de atenção, quem sabe um aplauso-sinho ou outro, entre um gole e uma piscada pra aquela(e) super gata(o) que tá dando mole...
Convenhamos, não é o momento adequado para se mostrar arte.(É, a música é definida como forma de arte, sabia?...) Mas, dá certo. Ninguém dá muito valor, mas gostam que haja "música ao vivo". As praças de alimentação são bem frequentadas, e os músicos são bem aceitos. Aceitos, mas obviamente não devidamente valorizados. Pra que pagar muito, se tantos se oferecem pra fazer? Se algum músico reclamar de alguma coisa, basta eliminá-lo da escala e chamar um dos outros mais de mil candidatos. Qualidade? pra quê? E mais: alguns músicos, em nome de ter que comprar " o leite das crianças", se oferecem pra tocar mais barato, às vezes de graça, só pra poder estar na "vitrine" ! Desta forma, os contratantes deitam e rolam, praticando os preços que quiserem. Reajustar? pra quê? basta trocar de músico, pôr um "mais em conta"...

É por isso que digo que infelizmente não há tantos bons profissionais no mercado dos músicos. Nem união da classe. Também não há um respeito à profissão. Em que outra atividade é permitido beber bebidas alcoólicas durante o exercício da função? Talvez até seja justo, pois não é fácil aguentar, estando sóbrio, os tradicionais "malas" que sempre fazem do músico o seu melhor amigo. E, como amigo, vem falar bem de perto, abraçados, com aquele maravilhoso bafo de desmaiar, pedir "aquela" música, falar da vida, chorar, etc. E o cantor alí , tendo que sorrir, lembrando das contas a pagar, do estômago embrulhando de vontade de vomitar, do lanche que talvez vá ganhar no fim da noite (um salgado velho, ou um mexidão dos restos ), pensando em tudo e tendo de sorrir. Pois se não levar tudo numa boa, será considerado metido, estrelinha, e nunca mais será contratado. "Faz parte da sua profissão, pô!". É, nesta hora nossa atividade é tida como profissão...

È claro que tocar na noite não é só desprazeres, não é só dificuldades e chatices. Tudo na vida tem seu lado bom. Ás vezes, um pequeno gesto ou palavra, dita ou escrita num guardanapo pode melhorar muito a noite do pobre coitado. E elas acontecem. Elogios sinceros, palavras de apoio e encorajamento sempre acontecem. E a gente vai levando, a gente vai levando...


Informações coletadas no site http://www.joaoaraujo.mus.br/ja/

terça-feira, dezembro 12, 2006

Poesia

A Viola e o Violeiro

A vida de um violeiro
Quando ele é sonhador
Se transporta no som da viola
É um eterno cantador

Em seus dedos tem agilidade
Em seu coração tem muito amor
Conta sua vida na viola
Ah! Violeiro Cantador!

Na viola ele canta mágoas
Canta também a emoção
Violeiro também chora
Quando fala do seu sertão

Na viola ele também chora saudade
A saudade que magoa seu coração
Violeiro sente-se preso na cidade
Mas é um sabiá no seu sertão

Oh! Viola dolorida
Por ti minha alma sente-se corroída
Nesta ilusão de te querer
Se nesta vida eu for condenada a não te ter
Oh Viola Xônada me perdoe!
Mas eu prefiro morrer.
(Fabíola Mirella)


www.fabiolamirella.com
www.violeirosmatutos.com.br

sexta-feira, dezembro 08, 2006

A historia da cachaça

Como hoje é sexta feira dia de curtir uma branquinha ao som de uma boa roda de viola...


*A postagem abaixo foi coletada no site do Cumpadre Luciano Queiroz www.lucianoqueiroz.com

A cana-de-açúcar, elemento básico para a obtenção, através da fermentação, de vários tipos de álcool, entre eles o etílico. É uma planta pertencente à família das gramíneas (Saccharum officinarum) originária da Ásia, onde teve registrado seu cultivo desde os tempos mais remotos da História.
Os primeiros relatos sobre a fermentação vem dos egípcios antigos. Curam várias moléstias, inalando vapor de líquidos aromatizados e fermentados, absorvido diretamente do bico de uma chaleira, num ambiente fechado.
Os gregos registram o processo de obtenção da ácqua ardens. A Água que pega fogo - água ardente (Al Kuhu).
A água ardente vai para as mãos dos Alquimistas que atribuem a ela propriedades místico-medicinais. Se transforma em água da vida. A Eau de Vie é receitada como elixir da longevidade.
A aguardente então vai para da Europa para o Oriente Médio, pela força da expansão do Império Romano. São os árabes que descobrem os equipamentos para a destilação, semelhantes aos que conhecemos hoje. Êles não usam a palavra Al kuhu e sim Al raga, originando o nome da mais popular aguardente da Península Sul da Ásia: Arak. Uma aguardente misturada com licores de anis e degustada com água.
A tecnologia de produção espalha-se pelo velho e novo mundo. Na Itália, o destilado de uva fica conhecido como Grappa. Em terras Germânicas, se destila a partir da cereja, o kirsch. Na Escócia fica popular o Whisky, destilado da cevada sacarificada.
No extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das populações que não fabricam o Vinho de Uva. Na Rússia a Vodka, de centeio. Na China e Japão, o Sakê, de arroz.
Portugal também absorve a tecnologia dos árabes e destila a partir do bagaço de uva, a Bagaceira
Os portugueses, motivados pelas conquistas espanholas no Novo Mundo, lançam-se ao mar. Na vontade da exploração e na tentativa de tomar posse das terras descobertas no lado oeste do Tratado de Tordesilhas, Portugal traz ao Brasil a Cana de Açúcar, vindas do sul da Ásia. Assim surgem na nova colônia portuguesa, os primeiros núcleos de povoamento e agricultura.
Os primeiros colonizadores que vieram para o Brasil, apreciavam a Bagaceira Portuguesa e o Vinho d'Oporto. Assim como a alimentação, toda a bebida era trazida da Corte. Num engenho da Capitania de São Vicente, entre 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana de açúcar - Garapa Azeda, que fica ao relento em cochos de madeiras para os animais, vinda dos tachos de rapadura. É uma bebida limpa, em comparação com o Cauim - vinho produzido pelos índios, no qual todos cospem num enorme caldeirão de barro para ajudar na fermentação do milho, acredita-se. Os Senhores de Engenho passam a servir o tal caldo, denominado Cagaça, para os escravos. Daí é um pulo para destilar a Cagaça, nascendo aí a Cachaça.
Dos meados do Século XVI até metade do Século XVII as "casas de cozer méis", como está registrado, se multiplicam nos engenhos. A Cachaça torna-se moeda corrente para compra de escravos na África. Alguns engenhos passam a dividir a atenção entre o açúcar e a Cachaça.
A descoberta de ouro nas Minas Gerais, traz uma grande população, vinda de todos os cantos do país, que constrói cidades sobre as montanhas frias da Serra do Espinhaço. A Cachaça ameniza a temperatura.
Incomodada com a queda do comércio da Bagaceira e do vinho portugueses na colônia e alegando que a bebida brasileira prejudica a retirada do ouro das minas, a Corte proíbe várias vezes a produção, comercialização e até o consumo da Cachaça.
Sem resultados, a Metrópole portuguesa resolve taxar o destilado. Em 1756 a Aguardente de Cana de Açúcar foi um dos gêneros que mais contribuíram com impostos voltados para a reconstrução de Lisboa, abatida por um grande terremoto em 1755.
Para a Cachaça são criados vários impostos conhecidos como subsídios, como o literário, para manter as faculdades da Corte.
Como símbolo dos Ideais de Liberdade, a Cachaça percorre as bocas dos Inconfidentes e da população que apóia a Conjuração Mineira. A Aguardente da Terra se transforma no símbolo de resistência à dominação portuguesa.
Com o passar dos tempos melhoram-se as técnicas de produção. A Cachaça é apreciada por todos. É consumida em banquetes palacianos e misturada ao gengibre e outros ingredientes, nas festas religiosas portuguesas - o famoso Quentão.
No século passado instala-se, com a economia cafeeira, a abolição da escravatura e o início da república, um grande e largo preconceito a tudo que fosse relativo ao Brasil. A moda é européia e a cachaça é deixada um pouco de lado.
Em 1922, a Semana da Arte Moderna, vem resgatar a brasilidade. No decorrer do nosso século, o samba é resgatado. Vira o carnaval. Nestas últimas décadas a feijoada é valorizada como comida brasileira especial e a Cachaça ainda tenta desfazer preconceitos e continuar no caminho da apuração de sua qualidade.
Hoje, várias marcas de alta qualidade figuram no comércio nacional e internacional e estão presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais pelo Brasil e pelo mundo.

fonte: Museu da Cachaça - Lagoa do Carro - PE - http://www.museudacachaca.com.br/

*Luciano Queiroz - Todos os Direitos Reservados

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Jardim dos Sonhos (Uma boa opção de presente de Natal)



1 - Canoeiro do Tietê
2 - Água e sal
3 - Chuva
4 - Ao longo das eras
5 - Fim dos heróis
6 - Capão do Embira
7 - No laço da viola
8 - Um sonho e um segredo
9 - No bojo do jacarandá
10 - Seguindo os passos da
imaginação
11 - Pedaços de chão
12 - Jardim dos sentidos


JARDIM DOS SENTIDOS

Este é o nosso primeiro trabalho com composições próprias. Escolhemos um repertório eclético dentro de nosso universo musical e procuramos unir as poesias, melodias e harmonias dentro de ritmos diversificados. Quando entramos em estúdio já tínhamos uma base pré definida pelos arranjos, fomos moldando gradativamente as canções e a cada nota que colocavamos a impressão de enriquecimento harmônico era surpreendente. Agradeço a ajuda de meus GRANDES AMIGOS e GRANDES MÚSICOS que colocaram, cada qual a seu modo, um toque de carinho e responsabilidade em cada faixa gravada.


Músicas 1, 4, 5, 6, 7, 8 e 9: João Vilarim
Músicas 2, 3, 10, 11 e 12: João Vilarim e Nico
Voz, viola caipira, violão e percussão: João Vilarim;
Contrabaixo: Fernando Marinho;
Flauta: Drº José Carlos;
Violino, viola e violoncello: Marcelo Schineider;
Piano e teclados: Willian Labecca;
Sax: Sumé;
Gaita: Marcelo Soria;
Harpa paraguaia: Dario Andino;
Berrante: Edson Araçatuba;
Bateria: João Carlos (Cabeças) ;
Arranjos de base: João Vilarim;
Arranjos de cordas: João Vilarim, Marcos Zanda e Marcelo Schineider;
Mixagem, masterização, técnica: João Carlos (Cabeças);
Produção: João Vilarim e Jesus Anibal
Associação Cultural Machu Picchu - Cuzco;
Produção Fonográfica: Gravadora e Editora Brasil Inka's

Para comprar: (xx11) 6911-2604 / e-mail:
joaovilarim@terra.com.br
vilarim@ponteiocaipira.com.br


www.ponteiocaipira.com.br

terça-feira, dezembro 05, 2006

Opinião

Boa tarde Cumpadres e Cumadres
Segue abaixo um texto do cumpadre Samuel dos Reis Garcia, "O Caipira do Sur de Minas", criador e um dos moderadores do Grupo Caipira Raiz:


Olá Amigos, Cumpadres & Cumadres!

Saudações Caipiras!

Amigos desta Grande Família, dos quatro cantos do Brasil que amam a nossa Música Caipira!

Amigos, a história de qualquer movimento, grupo ou ideologia, tem os seus altos e baixos. E nisso estão envolvidos vários fatores.

Não conheço muito e nem tenho tanta formação para afirmar isso, mas a força da Música Caipira esteve muito ligada ao contexto histórico-econô mico do Brasil há algumas décadas, quando o eixo econômico do Brasil passava primordialmente pelo interior.

Contudo, a urbanização, a industrializaçã o e a difusão do Capitalismo, onde o Lucro fala mais alto, fizeram com que, paulatinamente, a Música caipira deixaSse de ser a "porta-voz oficial" do Brasil.

E um fator que considero primordial, foi a difusão dos meios de comunicação de Massa (em especial a televisão) A SERVIÇO DA CLASSE DOMINANTE TANTO POLITICA COMO SOCIALMENTE. E, com o objetivo de acultar ao povo a sua verdadeira origem, o seu verdadeiro potêncial, foi imposto, de forma cruel, valores e formas de pensar vindas de fora. Não que isso seja ruim. Mas tudo tem que ser "ruminado", num processo de "antropofagia" , como já diziam os idealizadores da Semana de 1922.

Mas, o que faz com que a Música Caipira ainda persista como um fiel retrato de seu povo, é justamente a simplicidade e a pureza de quem a criou. É a voz pura, "sem contaminação", que brota do fundo do coração do caboclo. Particularmente, imagino e me coloco no lugar do nosso Saudoso Goiá: suas composições falam fundo em nossa alma por ele sentiu na pele tudo isso. Confiram a entrevista de Zé Mulato & Cassiano na Tv Câmara, onde eles falam que, pra falar, compor e interpretar a Música Caipira é necessário "beber na fonte", "falar daquilo que conhece".

Agora, será que nós valorizamos os nossos artistas (e outros) que estão atuando hoje, agora, defendendo a nossa Música Raiz?

Algumas vezes trocamos álbuns, cds e nos esquecemos que o artista também precisa receber o seu incentivo, o reconhecimento, que vai sim, vai muito além da simples compra de uma mercadoria, mas depende também disto.

Confesso a vocês que passei a conhecer muita gente nossa, boa de serviço, através desse Grupo. E, com o meu esforço, pretendo retribuir, da maneira como posso, no meu individual, a cada um. Mas, realmente, a divulgação de seus trabalhos nesse espaço é uma oportunidade única.

Vamos sim, resgatar o passado, sem esquecer de valorizar o presente. Quantos Cumpadres & Cumadres que estão aqui lutam na preservação da Música Caipira! Quantos são Violeiros, Interpretes, Organizadores de Sites, Grupos Musicais, meios de Comunicação (web, rádio, tv) e enfim, nós, cidadãos comuns que valorizamos a nossa Cultura!

Espero que toda essa Rica Discussão possa aumentar, ainda mais, a nossa disposição em contribuir para a preservação da nossa Música Caipira!

E reitero mais, uma fez, em nome de todos, pois sei que este é o desejo e vontade de todos: ESTAMOS DE PORTAS E BRAÇOS ABERTOS PARA TODOS OS QUE AMAM A MÚSICA CAIPIRA!

UM GRANDE ABRAÇO A TODDOS!
Samuel dos Reis Garcia



" O CAIPIRA DO SUR DE MINAS GERAIS "

Mais uma raridade

Uma raridade encontrada em meio a tantas outras no blog Cantinho Sertanejo do nosso cumpadre Claudemir



http://rapidshare.com/files/3411532/M_e_natureza_-_1989.rar

SENHA:
PARA_OS_TATUS_DO_CAIPIRA_RAIZ&ACERVO_CAIPIRA

quinta-feira, novembro 30, 2006

Negrinho Parafuso

*Letra da musica foi coletada da pagina www.tiaocarreiro.com.brNEGRINHO PARAFUSO

(autores:Tião Carreiro e Nhô Chico)


Existiu uma velha casa perto da linha fepasa antiga sorocabana

Lembrança que ainda resta de quem foi o rei das festas das noites interioranas

Era ele um trovador renomado cantador de versos improvisados
Por esse interior afora muita gente ainda chora o parafuso afamado


Vivia aquele negrinho rodeado de carinho todos lhe queriam bem

Quando o povo lhe cercava parafuso não negava um sorriso pra ninguém

No lugar que ele cantava o povão aglomerava para ouvir seu repente
Além de bom repentista era também humorista divertia toda gente


Na cidade ou na fazenda onde houvesse uma contenda era sempre convidado

Das pousadas do divino velhos moços e meninos amanheciam acordados

Tietê capivarí sorocaba tatuí laranjal butucatu

Em qualquer localidade era ele na verdade o pelé do cururu


Depois de tantas viagens tantas noites na friagem parafuso adoeceu

Nem mesmo estando doente ele cantava contente e nunca se retrocedeu

Mais um dia eu me lembro naquele 2 de dezembro a sua hora chegou

A região toda chorava quando a rádio anunciava a morte do cantador


Naquela tarde chuvosa uma multidão chorosa cabisbaixa encontristada

Carregava seu artista o maior dos repentistas para derradeira morada

No mundo tudo se acaba a linda piracicaba perdeu mais um trovador

O negrinho idolatrado que também foi convocado para seleção do Senhor


Uma justa homenagem ao grande Antonio Candido (Neguinho Parafuso)
segue abaixo um link para uma roda de cururu... a origem é desconhecida; mas é muito importante para quem quer resgatar a musica caipira

http://www.4shared.com/dir/1351338/6b12de24/sharing.html