Este é um blog dedicado exclusivamente para o caipira, sua música, seus causos enfim tudo que tenha a ver com a vida simples do homem do campo. Aqui vc vai encontrar links para sites que tem interesse no resgate e preservação deste estilo.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Lançamento


Mais uma vez é sexta feira e dia da gente divulgar novidades... quero falar hoje de um pessoal de Birigui, a capital nacional do calçado infantil. Trata-se de Cido Teixeira e Giovani.
Uma dupla muito boa como os cumpadres poderão apreciar neste link.

prisioneiro



















Vale um destaque especial para a participação do grande violeiro Rodrigues Viola, que fez o arranjo e tem participação na parte instrumental.
Telefone para contato: (018)3642-3167 - Giovani em horario comercial.
e-mail: cd-on@ig.com.br

terça-feira, agosto 07, 2007

Um de ano de Viola Enluarada

Ha exatamente um ano iniciava o blog Viola Enluarada, como disse no dia 07 de agosto de 2006, um blog simples, humilde. Neste ano que passou ele não mudou muito, mas, pelo menos é o que eu acho, conseguiu fazer aquilo que estavamos empenhados na época, que é a defesa da musica caipira, a divulgação de novos artistas e a preservação deste modo de vida... para muitos até saudosista do caipira. Muito obrigado a cada um que visitou o nosso blog, a cada comentario. Muito obrigado mesmo. E pra comemorar este primeiro aniversario, vai acontecer um encontro de violeiros amadores, no Palco da Praça de Rinopolis no dia 11 de agosto, sabado proximo...coisa simples, assim como o nosso blog. Mas estão todos convidados.

Que Deus pela intercessão de São Gonçalo abençoe a cada um de vcs e aos seus.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Luis Carlos Mordegane


Nascido em São Bernardo do Campo - SP, casado, funcionário público municipal, escritor e poeta. Começou a escrever jovem ainda, porém, só atreveu-se a sair do anonimato no início de 2001 quando adentrou as veredas da poesia chegando aos contos e crônicas.

Seus escritos abrangem desde o social ao amor, sempre sob a ótica da cidadania consciente e do poeta romântico que é. Luís Carlos retrata o ergástulo d'alma com propriedade. Entende, que todo texto, tendo cunho social ou não, é formador de opinião e resgata valores morais, éticos e sociais.

Dentro de um mundo racional e capitalista, competitivo, os textos podem também resgatar a essência do amor. Luís Carlos Mordegane é membro do Movimento Poético Nacional e, é também, autor de três livros impressos: Eu, Um Velho Menino; A Casa do Fim da Rua e A Magia Dos Rondeis de Um Velho Menino. Participou ainda de diversas antologias.
Conheça mais sobre o autor no Site do Poeta

Abaixo uma bonita poesia deste grande poeta:

Véia Porteira

Cum fogo foi entaiado,
No tronco da painera,
Teu nome gravado
Lá perto da véia portera.

Era um amô pra vida intera!
Com carinho e bejinho trocado,
Cum chero da frô di laranjera,
Cabelo bunito, como as frô do serrado.

Mais o destino é gozado.
Era São João, noite de foguera,
Nosso triste rumo foi ali marcado...
Nem as preces da véia rezadera

Podi ti sarva da sorte derradera.
Foi uma correria pra modi pega o danado,
Mas já tinha ele feito ali a bestera.
Com ciúme, um cabra mar amado,

Féiz um baze c`um chororo pra todo lado!
Atirô no meu amô, la da ribancera,
Cum inveja d'eu se dela namorado.
Onde ta a cabocla facera

Que tinha o chero da frô de laranjera?
Que é dona do mio sapatiado?
Assim, naquele dia, no pé da manguera
Foi minha frô no chão friu interrada.

Inda mi lembro d`ocê sumindo
Lá no arto da ladera...
Teu rastro ia seguindo
C`o coração sangrano, arrastano na poera.

Foi ansim que o destino gozadô,
Como um sopro de vento, entro na minha tapera
Feiz deste caboclo um sofredô...
Das lembrança daquela frô di laranjera
Fico teu nome entaiado no tronco da painera.

Luís Carlos Mordegane

quinta-feira, agosto 02, 2007

Praião e Paulinho

Mais uma indicação do cumpadre Cleber Vianna, do Site Casa dos Violeiros
vale a pena dar uma olhada nesta pagina e conhecer um pouco sobre este cumpadre que muito tem colaborado com a musica raiz. Cleber Vianna

sexta-feira, julho 27, 2007

Adryan e Fernando

Adryan e Fernando, são crias de Rinópolis, e estão começando a carreira de cantores. Com estilo voltado para a musica sertaneja romantica, eles passeiam com uma liberdade impar, interpretando os sucessos lançados pelas grandes duplas sertanejas. Tendo feito aberturas de Shows de várias duplas na região já estão ficando com a agenda lotada, haja visto o sucesso que eles têm feito. Contato para Shows (18)35831511
e-mail: adrianefernando@yahoo.com.br

Comunidade no orkut http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=122533737201022899

Segue abaixo uma demonstração da dupla Adryan e Fernando
clique aqui e ouça a dupla

quinta-feira, julho 26, 2007

Novidade

Olhem o que o cumpadre Cleber Viana do site Casas dos Violeiros enviou pra mim, e quero agradeceR ao cumpadre por estar sempre divulgando nossos violeiros.
QUE DEUS, PELA INTERCESSÃO DE SÃO GONÇALO, ABENÇOE A TI E TODA A TUA FAMILIA
.

Numa produção do Viola Brasil Produções, com Chico Lobo e Ângela Lopes, fotos de Kika Antunes e arte de Ana Paula, participação de músicos como Dimas Soares, Rogério Delayon, Mateus Bahiense, Ricardo Gomes, André Siqueira, Frank Júnior e Aurélia Rocha. Uma linda congada com, o ícone da música regional brasileira, Rubinho do Vale e uma folia de reis com o grande Chico Lobo, o violeiro Lázaro Mariano acaba de gravar o seu primeiro CD intitulado IDENTIDADE CAIPIRA. Curtam a 2ª faixa (Baile de Lona) no SITE www.palcomp3.com.br.
CONTATOS- lazzo.violeiro@gmail.com ou lazaro_mariano@hotmail.com

terça-feira, julho 24, 2007

Tião Carreiro e Pardinho

Um momento maravilhoso conseguido com o cumpadre Luciano Queiroz do site www.lucianoqueiroz.com é uma gravação caseira de Tião Carreiro e Pardinho, feita em 1991 numa churrascaria em Ituiutaba - MG


sexta-feira, julho 20, 2007

Rosalina Meira Machado

Existem pessoas que passam pelo mundo e ninguém percebe, existem pessoas que Deus coloca na vida da gente para que possamos aprender com elas e às vezes nós não percebemos e não damos a devida importância à essas pessoas.
A Rosa foi uma dessas pessoas... sempre de bom humor, mesmo nas horas difíceis ela nunca deixou transparecer o seu sofrimento... sempre alegre... firme... nas rodas de viola ao lado de seu companheiro, o Mauro Viola ela cantava, brincava...e é claro tomava a cervejinha gelada...
Eu tenho certeza de que Rosalina Meira Machado chegou no céu...cantando e sendo recepcionada por São Gonçalo do Amarante...
Fica registrado aqui o nosso pesar, mas fica a boa lembrança... e aquela sensação de que perdemos muito tempo... em não aproveitar as horas em que estavamos perto... para aprender com o seu jeito de ser.

Rosa. Saudades... Sua falta dói, mas sua lembrança nos reanima. Exemplo de aproveitamento da vida, alto astral até os últimos momentos. Agora é um ser encantado (Prof. Aureo)



Felicidade não se compra na loja da esquina. Adquire-se com o passar do tempo, mesmo que sejam em poucos momentos. A sensação de eternidade permanece. Mauro, João, minha mãe e Rosa (saudades).(Professor Aureo)

Lançamento

Mais uma vez é sexta feira e dia da gente divulgar novidades... quero falar hoje de um pessoal de Birigui, a capital nacional do calçado infantil. Trata-se de Cido Teixeira e Giovani.
Uma dupla muito boa como os cumpadres poderão apreciar neste link.

prisioneiro



















Vale um destaque especial para a participação do grande violeiro Rodrigues Viola, que fez o arranjo e tem participação na parte instrumental.
Telefone para contato: (018)3642-3167 - Giovani em horario comercial.
e-mail: cd-on@ig.com.br

quarta-feira, julho 18, 2007

Eu sei que ja falei sobre este cidadão mas nunca é falar demais de quem mereçe. Com voces





João Vilarim


Violeiro, cantor, compositor e arranjador.

O seu trabalho é inspirado na música regional – do interior de São Paulo, Minas Gerais, norte do Paraná, Goiás e Mato Grosso – MPB e world music. Em seus arranjos busca a fusão de instrumentos como a viola caipira, violino, contra baixo, flautas e percussão.

A opção pela harmonia simples e melodias suaves ditadas pelo violino mistura-se com o som grave do baixo que forma um casamento harmônico com a viola caipira, dando um contexto exótico às suas composições, fazendo com que a sua poesia agregue-se a este contexto musical.

A parceria com seu irmão Antonio Carlos, Nico, atravessa mais de uma década de boas idéias, incluindo em seus temas ecologia, filosofia; espiritualidade e a vida caipira. A busca pela linguagem simples faz com que as idéias sejam passadas de uma forma clara e objetiva.

Em seu repertório além de suas composições, interpreta músicas de grandes nomes como Renato Teixeira, Almir Sater, Tião Carreiro, Rolando Boldrin, etc.

Iniciou seus estudos musicais aos doze anos aprimorando-se no contra baixo e viola caipira. Teve como mestres Valdevido de Souza, Antonio Marcos Conceição, Celso Pixinga, etc.

Leciona viola caipira, teoria musical e demais instrumentos de corda em sua residência, em oficinas culturais e na escola de música NAM - Núcleo de Arte Musical, na zona leste de São Paulo.

É autor de um conjunto de métodos de ensinopara viola caipira:

  • A viola caipira sem mistérios: método teórico e desenvolvimento técnico para viola caipira;
  • Ponteio Caipira: repertório para viola caipira - contendo 3 volumes de músicas caipira totalizando 600 canções dos mais diversos compositores e interpretes da música caipira;
  • Toque de viola: contendo introduções de musicas caipiras;
  • Ponteio caipira 2: músicas soladas na integra para viola caipira.

Este material didático abrange o estudo da viola caipira de um modo prático, tratando de assuntos como: técnicas, escalas, ritmos, teoria musical e ponteios.

Como instrumentista, em seus trabalhos anteriores destaca-se: “BANDA KRIG-HÁ, BANDOLO!”, que foi fundador e participava como baixista e violeiro, banda esta que interpretava a obra de Raul Seixas.

Acompanhou a cantora paranaense Erimeide Zanchettini por dois anos contando com a sua primeira participação no programa “VIOLA MINHA VIOLA” da TV CULTURA, e também o violeiro paranaense Alecir Carrigo, ambos como violeiro, violonista e baixista.

Com o poeta popular Costa Senna, dividiu o palco no show “Cantos e cordéis”, apresentando-se em faculdades e eventos culturais.



Acompanhou a dupla
caipira Liu e Léu em algumas apresentações como violeiro.

Além de seu trabalho solo, desenvolveu junto a Associação Cultural Brasil Inkas seu primeiro CD, onde interpreta músicas caipiras com um “toque” andino ( Charango, quenas e sampoña ), em arranjos desenvolvidos por ele.

Em suas apresentações com seu trabalho destacam-se:

  • 6 apresentações no programa “VIOLA MINHA VIOLA”;
  • Festival canta São Paulo, em duas edições;
  • SESC;
  • Festival Ibero Americano;
  • 4ª musical no Shopping Anália Franco, abrindo o show para Dominguinhos;
  • Projetos Bairro a Bairro apresentando-se várias bibliotecas casas de cultura;
  • Projeto Arte nas Ruas - prefeitura de São Paulo;
  • 4ª musical projeto Itaú metrô;
  • VI mostra de arte, Biblioteca Ipiranga;
  • Circuito de Casas de Cultura de Diadema;
  • 2ª grande festa country e sertaneja, abrindo o show do cantor sertanejo Marciano.

Seu trabalho já sofreu neste período de tempo algumas transformações desde seu início, mas nunca comprometeu sua qualidade.

Inicialmente era formado por: ALESSANDRO FERREIRA - violão e vocal de apoio; MARCOS ZANDA - violino e percussão; FERNANDO MARINHO - baixo; CLÁUDIA SPERB - teclado; ANDRÉ GEORGES - bateria.

Hoje o quadro de músicos que o acompanha forma-se assim:

  • FERNANDO MARINHO – contrabaixo
  • FABINHO – violão
  • GEOVANI – percussão
  • MARCELO SCHINEIDER – violino

E eventualmente:

  • WILLIAM LABECA – piano e teclados
  • JOSÉ CARLOS RODRIGUES – flauta

Está em fase de divulgação de seu 2º Cd e 1º trabalho solo, que contará com canções de sua autoria e Antônio Carlos. Onde participam 12 instrumentistas. Viola caipira, violão, baixo percussão, cordas, metais, harpa paraguaia, flautas, piano e outros instrumentos forão utilizados neste trabalho.

Dentre elas destacam-se:

  • Fim dos heróis - música que retrata o fim dos boiadeiros e a herança que nos deixaram;
  • Um sonho e um segredo - ...nossos sonhos e nossos segredos diante o auto conhecimento;
  • Capão do embira - este é um chamamé que foi feito em homenagem ao córrego que corta a Vila Formosa, bairro em que nasceu;
  • Canoeiro do Tietê - canção com tema voltado à ecologia que nos transporta ao leito limpo deste rio em tempos idos;
  • Chuva - nos dita que as águas vindas em forma de torrentes e devastações são as mesmas que faz o verde brotar;
  • Jardim dos Sentidos - é a canção que dá o título ao CD e que retrata a presença de Deus: em tudo está, tudo transforma, em tudo permuta...


1 - Canoeiro do Tietê

2 - Água e sal

3 - Chuva

4 - Ao longo das eras

5 - Fim dos heróis

6 - Capão do Embira

7 - No laço da viola

8 - Um sonho e um segredo

9 - No bojo do jacarandá

10 - Seguindo os passos da

imaginação

11 - Pedaços de chão

12 - Jardim dos sentidos

JARDIM DOS SENTIDOS

Este é o nosso primeiro trabalho com composições próprias. Escolhemos um repertório eclético dentro de nosso universo musical e procuramos unir as poesias, melodias e harmonias dentro de ritmos diversificados. Quando entramos em estúdio já tínhamos uma base pré definida pelos arranjos, fomos moldando gradativamente as canções e a cada nota que colocavamos a impressão de enriquecimento harmônico era surpreendente. Agradeço a ajuda de meus GRANDES AMIGOS e GRANDES MÚSICOS que colocaram, cada qual a seu modo, um toque de carinho e responsabilidade em cada faixa gravada.



Músicas 1, 4, 5, 6, 7, 8 e 9: João Vilarim
Músicas 2, 3, 10, 11 e 12: João Vilarim e Nico
Voz, viola caipira, violão e percussão: João Vilarim;
Contrabaixo:
Fernando Marinho;
Flauta: Drº José Carlos;
Violino, viola e violoncello: Marcelo Schineider;
Piano e teclados: Willian Labecca;
Sax: Sumé;
Gaita:
Marcelo Soria;
Harpa paraguaia: Dario Andino;
Berrante: Edson Araçatuba;
Bateria: João Carlos (Cabeças) ;
Arranjos de base: João Vilarim;
Arranjos de cordas: João Vilarim, Marcos Zanda e Marcelo Schineider;
Mixagem, masterização, técnica: João Carlos (Cabeças);
Produção: João Vilarim e Jesus Anibal
Associação Cultural Machu Picchu - Cuzco;
Produção Fonográfica:
Gravadora e Editora Brasil Inka's

Para comprar: (xx11) 6911-2604 / e-mail:
joaovilarim@terra.com.br
vilarim@ponteiocaipira.com.br

sexta-feira, julho 13, 2007

Lançamento

Amigos, foi uma festa e tanto!

No show de lançamento do Violando Fronteiras, no Palácio das Artes (BH/MG) :

Chico Lobo, Pereira da Viola , José Elias (Moxuara – ES), Oswaldo Rios e Rogério Gulin ( Viola Quebrada – PR),

Sérgio Penna e Fabíola Mirela (Violeiros Matutos – SP) e o Viola Urbana completo.

Só alegria !


(Foto Helen Lopes – 06 de julho de 2007)

E, partir de então, está disponível pra venda o novíssimo CD Violando Fronteiras,

que reúne 12 obras de 4 grupos realmente defensores da nossa cultura brasileira,

mais uma participação super especial da Banda de Pau e Corda, de Recife (PE).

Pra completar, a canção que dá nome ao disco e ao movimento, Violando Fronteiras,

que foi composta e gravada por integrantes de todos os 4 grupos,

numa demonstração coletiva de força, amizade e luta comum pela nossa verdadeira música !

Ouça-a inteira em mp3 e saiba mais sobre esse movimento que vai dar o que falar no Brasil, acessando o site



www.violaurbana.com


(apenas R$ 15,00 + postagem)

E vamos proseando...

Grande abraço do


Diretor do Grupo Viola Urbana

joaoaraujo@joaoaraujo.mus.br

Celular : (31) 9952-1197

Visite os sites :

http://www.violaurbana.com (A influência da viola caipira na MPB)

http://www.joaoaraujo.mus.br (Araújo , de Belo Horizonsite oficial de João te/MG)
http://violasertaneja.sites.uol.com.br (site " O Violeiro ", do mestre Luiz Viola , de Bauru / SP)
http://www.boamusicaricardinho.com (site do Ricardinho "Boa Música", de Santo André)

quinta-feira, julho 12, 2007

Cornelio Pires

BIOGRAFIA DE CORNÉLIO PIRES


A ARTE DE SUA ÁRVORE GENEALÓGICA

No dia 13 de Julho do ano de 1884, um domingo de muito frio, nasceu Cornélio Pires, na cidade de Tietê, veio à luz na chácara de seus tios Eliseu de Campos, (Chico Eliseu) e Isabel Pires de Campos, (Nhá Be), avô do popular Ariowaldo Pires (Capitão Furtado) e do radialista Mauro Pires. A chácara ficava na divisa entre o bairro de Sapopema e o do Garcia, e nela moravam todos da família de Cornélio. Segundo o escritor, era décimo quarto neto de Piquerobi, chefe dos índios Guaianazes, sétimo neto de Brás Cubas, sétimo neto de Pedro Taques, décimo sétimo neto de Martim Leme, tronco dos famosos Lemes, da cidade de Burges, capital da Flandres Ocidental, décimo terceiro neto do velho Chefe índio Tibiriçá, oitavo neto do governador Álvares Cabral, que por sua vez era sobrinho de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, descendia também de João Ramalho e Antonio Rodrigues, portugueses que provavelmente faziam parte das expedições de João Dias Solis, ou de Fernando de Magalhães, que vieram à América, o primeiro em 1513 e o segundo em 1519, "ficaram nas praias de São Vicente por causas ainda hoje ignoradas". Cornélio Pires deixou ainda registrado, ter possuído sangue Espanhol, Escocês, Belga, Português, Índio e Francês, este ultimo via Gurgel e Missel. Numa conversa com amigos, em uma noitada, disse "Pelo lado português, descendo de Antônio Rodrigues e João Ramalho, por isso sempre me atraíram os Fados e Viras, o Castelhano me deixou especial inclinação para os trocadilhos, do Holandês me ficou a tendência para o fumo, a cerveja e a genebra, dos meus antepassados Belgas herdei a bonacheirice moleirona, dos meus ancestrais Escoceses (os Drummond), não cheguei nem a herdar a sovinice, dos Franceses (Gurgel e Missel), ficou-me uma parcela insignificantíssima de cortesia". Agora, seu sobrinho, Mauro Pires é quem diz: - De seu pai, Raimundo Pires, homem de sete instrumentos, pois sabia fazer tudo com perfeição, Cornélio herdou o bom humor inesgotável, a graça para contar piadas e anedotas, com as quais divertiam-se os sócios de clubes e freqüentadores de teatros quando de suas apresentações.

O NASCIMENTO, SEU NOME, SEU BATISADO E SUA INFÂNCIA

Cornélio foi descendente de Bandeirantes, era filho de Raimundo Pires de Campos e de Ana Joaquina de Campos Pinto, (D. Nicota), nasceu antes do tempo, pois Tia Nicota, grávida de Cornélio, escorregou em uma casca de laranja, caiu sentada e passou a sentir fortes dores, acabou indo para a cama por volta das 11 horas. Quando Tio Raimundo chegou da roça, teve que cortar o cordão umbilical do recém nascido. Como vê, nascido antes do tempo e ainda com o nome trocado. E o próprio escritor diz: "Meu nome tem a sua historia". Uma de minhas tias maternas andava de namoro com um parente chamado Rogério Daunt, e foi ela que me levou a Pia Batismal. Ao me batizar, Padre Gaudêncio de Campos, que era nosso parente, e nesta época já bem velho e muito surdo, pergunta: "Como se chama o inocente?". Ao que responde sua Tia, "Rogério". E o Padre – "Eu te batizo, Cornélio...". E Cornélio crescia, porém desde cedo revelou-se um chorão de primeira, por qualquer motivo soltava as lágrimas. Certa feita, sua mãe o levou para visitar alguns parentes, e em meio a conversa com os adultos, ele começou a chorar sem nenhuma razão. A dona da casa, muito preocupada, desdobrou-se para acalmá-lo dizendo: -Que é isso Cornélio..., o que você tem? – Perguntou ela com ternura, alisou-lhe os cabelos loiros e deu-lhe uma moeda de alguns reis. – Tá, tome este presentinho pra calar o bico. Coitadinho! O menino parou de chorar, limpou as lágrimas com as costas das mãos e exclamou. – Ah! A senhora pensa que eu choro por dinheiro? E bem rápido, agarrou o níquel, enfiou no bolso da calça de brim e iniciou outra choradeira. De outra feita, um outro tio, muito zombeteiro, sempre que o encontrava, dava-lhe amáveis e doidos piparotes na cabeça. A brincadeira tornou-se monótona pela repetição. O menino não gostava dos gracejos, porém, nunca se queixou aos pais. D. Nicota, contudo, soube dos que se passava e recomendou ao filho, entre divertida e indignada. – Quando ele bater outra vez, você responda que não foi batizado por Cabeçudo. Certo domingo, o garoto se dirigia ao jardim, quando se encontrou com o parente e este repetiu o gesto e usou da mesma expressão. Cornélio, pensando no que sua mãe lhe disse, foi logo dizendo todo atrapalhado. – "Não fui BATIZUDO por CABECADO! E saiu de cara amarrada entre risos dos presentes. Outra passagem, ocorreu em uma das tentativas de alfabetização de Cornélio. Seus pais já cansados em tentativas frustradas, conheceram um grande sábio dinamarquês, Alexandre Hummel, um professor ideal para o filho, pensavam os pais. Hummel era pobre, solteiro, sóbrio, vivia em hotéis quando podia, altivo de caráter. Vivia baixando em fazendas, lecionando quase que só a troca de cama e mesa. Ensinava tudo o que lhe pediam e dominava muito bem o português. Com a morte de Ruy Barbosa, o jornal "O Tietê" encomendou-lhe uma reportagem. O sábio Dinamarquês, sentou-se a mesa da redação e redigiu um bonito artigo sobre Ruy Barbosa, sem consultar livros ou biografias. Hummel era dono de uma memória prodigiosa, dominador de vários idiomas, tinha um bom senso de humor, porém não era humorista, no sentido popular. Isto não lhe deixava entender ou tolerar um menino gordo, muito feio, cheio de vontades. Talvez no seu íntimo, vendo a desatenção do caipirinha, às vezes o tachasse de burro. Mas não foi o que disse um dia irritado. – "CORRRNELIO PIRRES", você e muito "INTELICHENTE, mas e muito "IGNORRANTE"!.

SUA INICIAÇÃO LITERÁRIA E SUA MATURIDADE

Já crescido, por volta de 1907, conhecido como Tibúrcio, este apelido, ele ganhou na passagem de um circo pela cidade, que possuía um orangotango chamado de Tibúrcio, seus amigos achando alguma semelhança, passaram então a chamá-lo de Tibúrcio. Cornélio foi trabalhar, a convite de um tal Dr.Vieira, na redação do jornal "O Movimento", semanário político que circulava na cidade de São Manoel, em S.P. Certa noite, alguém lançou um concurso de feiúra e divulgou pela cidade. Poucas semanas depois, o redator do jornal de Dr. Vieira, anunciou que, Cornélio Pires, ele mesmo, ganhara o concurso – por unanimidade! - O tieteense sempre brincalhão, achou graça e cooperou no certame para sua melhor performance. No dia da entrega do premio, lá estava o vencedor pronto para receber seu premio: "Uma corda para se enforcar"! Esta outra ocorreu pelo ano de 1933, já beirando os 49 anos, com a afamada superstição do numero 13. Um grande amigo das noitadas de Cornélio o encontrou sentado em um banco na Praça do Patriarca muito pensativo. Começaram a conversar e em pouco tempo estava formada a tradicional roda em volta dos dois. Alguém fez referências ao acaso de certas pessoas serem perseguidas pelo numero 13. Cornélio com aquele jeitão, achando sempre um "a propósito" para todos os casos, chamou a atenção da roda. – **Pois saibam vocês que tenho grande predileção pelo número 13, e sou por ele fartamente retribuído. E Cornélio começou sua descritiva:

Cornélio Pires – 13 letras. Vi a luz em Julho – 13 letras. Nasci no dia treze – 13 letras. Século passado – 13 letras. Eu sou paulista – 13 letras. Sou brasileiro – 13 letras. Nasci no Brasil – 13 letras. Sul de São Paulo – 13 letras. Cidade de Tietê – 13 letras. D.Anna Joaquina (minha mãe) – 13 letras. Raimundo Pires (meu pai) – 13 letras. Poeta e caipira – 13 letras. Poeta e "conteur" 13 letras. Conferencista – 13 letras. Escrevo livros – 13 letras. Sou muito pobre – 13 letras. Sou muito feliz – 13 letras. Eu sou solteiro – 13 letras. Amei treze "emes" (o M e a 13 letra do alfabeto) – 13 letras. E o escritor regionalista concluiu: Não cito os nomes das minhas 13 namoradas, porque, vocês compreendem... E com esta, até logo. – Para aonde vais? - Vou tomar Bonde! – E note uma coisa, que sua pergunta e minha resposta, ambas tem 13 letras!

O ENCERRAMENTO DA VIDA E A PASSAGEM PARA A POSTERIDADE

Até doente Cornélio ainda mostrava sua veia de humorista. Esta aconteceu no hospital que Cornélio estava internado, em São Paulo. Ele recebia visitas de parentes, em seu quarto, quando entrou uma enfermeira com sua medicação diária. Era composta de comprimidos e de uma injeção. Tomou os comprimidos enquanto a enfermeira preparava a seringa. Virou-se ela e perguntou. – Sr. Cornélio, aonde quer que aplique esta injeção? Cornélio olhou para os braços já todos picados, olhou para cima, para os lados e sem cerimônia disse: - Pode aplicar ali na parede mesmo! Algum tempo depois, em 17 de Fevereiro de 1958, as 2:30 h , falecia Cornélio Pires no Hospital das Clínicas de São Paulo, vítima de câncer na laringe. Seus restos mortais foram trasladados no mesmo dia para sua cidade natal e sepultados no cemitério local. Faleceu solteiro convicto e em plena lucidez, tinha 74 anos incompletos. Foi enterrado de pijamas e descalço, conforme sua vontade.

**Já foi postado aqui

As informações acima, sobre a biografia de Cornélio foram gentilmente cedidas por seu sobrinho, Renato José Poleti Osório, residente em São Paulo.

quarta-feira, julho 11, 2007

Geraldo Viola e Dino Guedes

Olha que coisa bonita demais da conta sô!! localizado no site desta dupla maravilhosa Geraldo Viola e Dino Guedes

...A viola caipira tal qual conhecemos hoje tem uma história muito interessante, nasceu na península Ibérica (Portugal e Espanha) no período renascentista, mas, enquanto instrumento, a viola surgiu da influencia árabe e tem como seu antecessor um outro instrumento, o alaúde (al'úd) que naquele idioma significa “madeira”.
...O alaúde árabe, cultivado e difundido através de séculos e terras, na medida em que foi enriquecendo e enobrecendo

seu formato e sua sonoridade, passou a incentivar a melhoria de instrumentos congêneres, dentre eles a fídula.
...A viola, tem este nome - ainda segundo Luis Soler - porque deriva do termo fidula, latino, diminutivo por sua vez de fides, um antigo tipo de lira greco-romana, de cordas pulsadas. Da fidula, por outra parte, derivam também os nomes de grande variedade de instrumentos europeus de cordas: a viola dos trovadores, a vièlle francesa , a vihuela espanhola , a viola portuguesa e italiana. E, ainda, o fiedel alemão e o fiddle inglês.
...A vihuela hispânica, sobretudo, copiou muito do aláude, divergindo do mesmo, apenas, em alguns aspectos de formas tradicionais na viola, aos quais não quis renunciar". "a vihuela, ou viola como era chamada em terras galaico-portuguesas, distingue-se do alaúde no formato da caixa: em lugar do fundo bojudo, de 'meia-pera', ela apresenta dois tampos planos, um inferior e outro superior, interligados por altas ilhargas e com uma cintura quase idêntica a do atual violão. Este tipo de viola, já perfeitamente definida e muito popular no Portugal renascentista, é a que veio para o sertão brasileiro e hoje, conhecida com o nome de “viola caipira” ou 'viola sertaneja' . Como vemos, a nossa querida viola é um instrumento histórico. Nasceu na Europa em período próximo ao do descobrimento do Brasil, embora seus avós já contassem com séculos de existência. Talvez, dada esta semelhança cronológica e à receptividade que obteve por aqui, a viola tenha se "naturalizado" brasileira e, hoje, podemos dizer que é um instrumento tipicamente nosso, pois não "quis" fixar-se em sua terra natal.

SEJA BEM VINDA VIOLA... NESTA TERRA DE SANTA CRUZ

...A viola foi introduzida no Brasil, no período da colonização, pelos jesuítas e colonos portugueses, com o nome de vihuela. Aqui, em contato com outras culturas, principalmente a indígena e a africana, ela adquiriu características próprias, condizentes com cada região, e com o grau de intensidade desta miscigenação. Encontramos assim, os mais variados tipos de viola, como a “viola de cocho”, “a viola de buriti”, “a viola de cabaça”, “a viola de madeiras de variadas espécies”, violas com diferentes números de cordas e com as mais variadas afinações. Existem dois grandes focos de viola no Brasil com manifestações musicais bem distintas; a região Nordeste, e a região Centro-Sul. No Nordeste, a viola é mais conhecida com o nome de viola sertaneja, e a de uso mais comum é denominada "viola dinâmica", de tamanho igual ao do violão e com o tampo contendo vários "ressoadores", que emitem um timbre bem peculiar. Sua afinação mais usada é a natural, semelhante à do violão, suprimindo a sexta corda. Na região Centro-Sul, abrangendo principalmente os estados de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, a viola é conhecida com o nome de viola caipira, instrumento menor que o violão, e com diversas afinações, sendo as mais comuns, as afinações "Cebolão", "Boiadeira", "Rio Abaixo" e a afinação Guitarra". Ainda precisamos citar a viola de 12 cordas que na verdade é a craviola ou vilão de 12 cordas com afinação natural, igual à do violão porem agora não suprimindo a 6ª corda como é o caso citado anteriormente. Na cidade de Uchoa no interior de São Paulo, encontramos um exemplar da viola de 15 cordas sendo 5 conjuntos de 3 com afinação “Cebolão” este instrumento é de propriedade dos irmãos Binatti o Alício e o Durval, eles que são um dos melhores fabricantes de viola do mundo e assim, foi a recepção aqui no Brasil deste instrumento que a cada dia nos surpreende com timbres, formas, afinações diferentes, mas, bem criativa, assim como é o nosso povo.

VAMOS FALAR DA VIOLA

...Falar da Viola Caipira é falar de um dos símbolos mais fortes da cultura popular brasileira. A Viola Caipira é sem sombra de dúvidas um dos instrumentos, senão o mais importante, o mais popular instrumento de nossa cultura popular a viola tem um som, um timbre, inconfundível e inimitável. Ouvi-la, é ouvir as profundezas dos sertões brasileiros, é ouvir a ciriema, é ouvir o badalo do carrilhão da fazenda, o trenzinho maria-fumaça, é ouvir os sons da natureza, enfim, só quem é da roça, ou já passou por lá, pode saber este significado; tocá-la é um privilégio e dizem por aí que o tinido da viola tem o som do sertão. A viola tem o privilégio de religar o homem às suas origens naturais, ela transporta a nós, violeiros e ouvintes às nossas raízes que são sertanejas, assim podemos afirmar que ate mesmo quem nunca morou na roça, nunca teve contato com a vida sertaneja, quando em contato com a viola parece que num passo de mágica se transforma em um sertanejo, arrepia, sente a sensibilidade falar mais alto, isto porque o Brasil é um pais essencialmente sertanejo e todos estão ligados de uma forma ou de outra a essa filosofia de vida sertaneja; a esta raiz.
...A viola, esta fiel companheira dos mais profundos sentimentos, ressurge em nossos dias com uma força admirável, hoje, a viola chegou com muita virtuosidade aos Teatros, Auditórios e Universidades. Ao contrário de desaparecer, a viola caipira está cada vez mais e mais presente em nossas vidas, tanto na roça como na cidade. Atualmente a viola está nas mãos dos jovens. Há uma nova geração redescobrindo a beleza do ponteio desse instrumento-símbolo do Brasil, é a “geração viola” que está alastrando como fogo no palheiro , graças a Deus diga-se de passagem porque saber ouvir a viola é conseguir mergulhar na poesia pura, melodiosa, na harmonia; a viola e violeiros não estimulam a violência nem a prostituição, os maus hábitos, ao contrário estimula sim , ao prazer gratuito, as coisas naturais e assim a nossa querida viola está contribuindo para uma geração mais saudável, alegre e feliz.
...O Brasil experimenta nos dias atuais uma nova dicção no âmbito cultural abrindo desta maneira um novo horizonte que nos leva ao resgate e à preservação de nossas raízes culturais, reafirmando o profundo respeito com a nossa viola caipira, o símbolo máximo da cultura popular brasileira.

DISSERAM QUE A VIOLA ESTAVA MORTA

...Nossa identidade cultural tem sofrido abalos que resultam em prejuízos irreparáveis em função do mass mídia. A massificação da indústria de resultados trabalha com o foco no lucro e esse movimento, sem querer desmerecer o seu valor, não privilegia a cultura regional, que, no Brasil é ampla e muito rica. Cada região tem suas características, suas histórias, hábitos e costumes, etc... e isso, compõe o que referencio de cultura regional; e o conjunto de culturas regionais, constitui a nossa brasilidade, que está sendo engolida pela cultura de massa ou seja estamos perdendo a nossa identidade cultural, diante deste raciocínio, os tecnocratas do lucro criaram o pensamento de que a viola estava morta e junto com ela esse “caipirismo” brasileiro; debochando é claro de nossa própria identidade.
...Essa industria sem se preocupar com a conseqüência de suas atitudes começaram a jogar no mercado todo tipo coisa, intitulada de música, estimulando intensamente a sexualidade, a violência e a prostituição. “Era a morte da verdadeira música caipira” e essa idéia cresceu muito, ocupando todos os espaços na mídia, causando inclusive um dano cultural irreparável à nossa sociedade. De repente milhares de consumidores, admiradores da música caipira ficaram órfãos, marginalizados dentro de seus próprios sentimentos, exilados dentro de sua própria cultura com saudades da velha e boa musica caipira, as modas de viola,o cururu, o cateretê, a catira, a toada o bom e irreverente pagode. Desta forma, a cultura do caipira caiu na clandestinidade, e muitas duplas, chegaram, por ordem de seus produtores a mudar até mesmo a maneira de vestir, buscando assimilar traços da cultura urbana, de uma sociedade mais civilizada e moderna. Vale dizer que a idéia não foi feliz e algum tempo depois, as duplas reassumem seus traços verdadeiros, a seus próprios estilos.
...Nessa atitude hostil e agressiva, nessa verdadeira caça às bruxas, nesse bombardeio contra a cultura caipira e todos os seus representantes não sobrou quase ninguém. Foram quase todos atingidos em cheio – desde produtores, intérpretes até consumidores. Falava-se num tal de caipirismo com um forte ranço de ironia e desprezo, pois o que valia agora era a novidade, a modernidade, o pop . Assim - duplas como Tonico e Tinoco, Liu e Léu, Zico e Zeca, Vieira e Vieirinha e tantas outras foram aos poucos sendo colocadas fora do reluzente e majestoso círculo do sucesso. Aqueles que no passado comandavam o espetáculo passaram a viver na platéia, na periferia da fama. Foram, de certa forma, cobertos por uma densa capa de preconceitos. Até mesmo os mais convictos defensores dessa cultura caipira começaram colocar em cheque o seu gosto e a sua preferência musical. Nesse período, a música caipira, a viola caipira e muitos dos cantadores permaneceram aparentemente em silêncio, porém fortes, resistentes e convictos de seu verdadeiro papel na preservação de nossas raízes culturais. Definiu-se, então, um público fiel e defensor de suas origens. É o público que jamais entregou os pontos, mesmo porque sabia da força e de todo o potencial dessa cultura nascida da alma brasileira. A verdade é que hoje percebemos claramente a retomada de um sentimento exaltando a viola caipira, o universo do sertão e a tradição que nasce na alma brasileira. Isso vem reforçar a idéia de que tudo aquilo que possui estrutura sólida, bases profundas resiste a qualquer vendaval. Assim aconteceu e acontece com a cultura caipira, resistiu ao tempo e ao poder econômico. Percebemos ainda que a viola de dez cordas deixou de ser um instrumento apenas de duplas caipiras para se transformar num instrumento de grandes solistas e, por isso mesmo ganhando um público diverso e imenso. Isto sem contar que a grande maioria desses violeiros são jovens que sobrevivem e resistem dentro de um universo musical dominado praticamente pelo sertanejo romântico. Bem feito... Viola cabocla, viola de pinho, viola sertaneja, vila de 10 cordas, viola caipira, viola minha viola você resistiu e resistirá você é brasileira e veio pra “FICÁ”.

Dino Guedes

quarta-feira, julho 04, 2007

Cornelio Pires

Dia 13 deste mes estaremos comemorando o nascimento do Grande Cornelio Pires, e navegando pelo site do Cumpadre Ricardinho, o Boa Musica Brasileira, olha só oque eu encontrei

O Número Treze:

Também de acordo com Paulo Roberto Moura Castro, em 1933, quando Cornélio Pires (conhecido também pelo apelido de Tibúrcio), já beirava os 49 anos, com a afamada superstição relativa ao numero 13, um amigo o encontrou sentado num banco na Praça do Patriarca muito pensativo.

Começaram a entabular uma conversa e, em pouco tempo, estava formada a tradicional roda em volta dos dois. Alguém fez referências ao acaso de certas pessoas serem perseguidas pelo numero 13.

Cornélio com aquele jeitão, achando sempre um "a propósito" para todos os “causos”, chamou a atenção da roda:

– Pois saibam vocês que tenho grande predileção pelo número 13, e sou por ele fartamente retribuído - e começou sua descritiva:

Cornélio Pires – 13 letras.
Vi a luz em Julho – 13 letras.
Nasci dia treze – 13 letras.
Século passado – 13 letras.
Eu sou paulista – 13 letras.
Sou brasileiro – 13 letras.
Nasci no Brasil – 13 letras.
Sul de São Paulo – 13 letras.
Cidade de Tietê – 13 letras.
D.Anna Joaquina (minha mãe) – 13 letras.
Raimundo Pires (meu pai) – 13 letras.
Poeta e caipira – 13 letras.
Poeta e "conteur" 13 letras.
Conferencista – 13 letras.
Escrevo livros – 13 letras.
Sou muito pobre – 13 letras.
Sou muito feliz – 13 letras.
Eu sou solteiro – 13 letras.
Amei treze "emes" (o M é a Décima Terceira letra do alfabeto) – 13 letras.

E o escritor regionalista concluiu:

- Não cito os nomes das minhas 13 namoradas, porque, vocês compreendem... E com esta, até logo.
– Para aonde vais?
– Vou tomar Bonde! E note uma coisa: que sua pergunta e minha resposta, ambas tem 13 letras!

MAZZAROPI

As informações aqui apresentadas foram coletadas no Site Boa Musica Brasileira do grande cumpadre Ricardinho.

Amácio Mazzaropi nasceu na Capital Paulista em 09/04/1912 e faleceu também na Paulicéia Desvairada em 13/06/1981, no Hospital Albert Einstein.


Esse excelente Artista, Brasileiríssimo, de origem humilde, não poderia jamais estar ausente desse "Trem": paulistano, foi um autêntico "Caipira Nascido na Capital"! Saudado popularmente como sendo "O Carlitos Brasileiro" (lembrando o célebre e inesquecível Charlie Chaplin), Amácio começou sua brilhante carreira no circo, tendo ido para o Rádio, para a TV, e para o Cinema, onde estreou como Ator, até que acabou se tornando o seu próprio Produtor, Diretor e Distribuidor!! Além de excelente intérprete da Música Caipira, a excelente e emocionante representação de seus personagens "Bem Brasileiros" consagrou-o também como um dos maiores sucessos de bilheteria, embora tivesse sido "mau visto" pela crítica...

Apesar da enorme aclamação pelo público, a "crítica" e a "elite intelectual", por assim dizer, jamais reconheceram o talento desse que foi um dos maiores representantes da Produção Cinematográfica Brasileira. No entanto, para nossa Felicidade, e para a preservação da nossa Memória Cultural, o trabalho de Amácio Mazzaropi vem sendo revisto pelos críticos de hoje e as Universidades, de um modo geral, também estão começando a estudar sua produção, apesar da tão pouca citação de seu nome nos diversos livros sobre Cultura Brasileira.

Pouco estudou e nem mesmo concluiu o Curso Ginasial (atual Primeiro Grau). Em sua adolescência, Amácio era fã de Genésio e Sebastião de Arruda (esse último, o famoso Ator Arruda que havia criado no teatro o "Personagem Clássico Caipira" que "passou a ter também sua voz ouvida no disco" em 1929 quando das primeiras gravações fonográficas de Genuínos Caipiras da Turma de Cornélio Pires), da qual Arruda também
fez parte.

Assistindo a um espetáculo circense, foi que Amácio acabou, "sem saber como", parando nos bastidores e ali passou a trabalhar como pintor de letreiros. Isso, com apenas 15 anos de idade! Não demorou para trocar os pincéis por um "personagem vestido de caipira"...


E, com 16 anos, Amácio fugiu de casa para ser assistente do faquir Ferri. Foi para o Interior e passou a apresentar monólogos cômico-dramáticos. Sucesso imediato, no entanto, a renda era baixíssima... Salário de míseros 25 Mil-Réis que mal davam para as despesas diárias...

Em 1940, Mazzaropi montou o Circo Teatro Mazzaropi e criou a Companhia Teatro de
Emergência. A partir de então, foi que a situação "começou a mudar", e ele passou a ser conhecido, além do fato de todos os circos começarem a solicitar sua presença!

E, ao final da década de 1940, Amácio Mazzaropi foi para a Rádio Tupi (dos Diários e Emissoras Associados) e estreou seu programa "Rancho Alegre". E, como se sabe, foi no ano de 1950 que a Televisão foi inaugurada no Brasil e foi para lá que Mazzaropi
levou seu programa, o qual alcançou estrondoso sucesso! Lembrar que a TV Tupi - Canal 3 - de São Paulo-SP foi a primeira emissora brasileira de Televisão! E, de 1959 a 1962, Mazzaropi apresentou também um programa na extinta TV Excelsior - Canal 9 - de São Paulo-SP.

Antes, porém, Abílio Pereira de Almeida, que na época era Produtor e Diretor da inesquecível companhia cinematográfica Vera Cruz (o "sonho holliwoodiano brasileiro"), procurava por um "tipo diferente e curioso" para uma comédia... Não deu outra: quando viu Mazzaropi na TV, ficou deslumbrado com sua atuação e não teve dívida: convidou-o para fazer um teste e, tendo Mazzaropi sido aprovado, Abílio contratou-o para atuar no filme "Sai Da Frente", por ele dirigido, em 1952.

Nascia então o inesquecível "Personagem Tão Característico" de Mazzaropi: o "Jeca", aquele "tipo Caipira, de andar desengonçado, fala mansa, usando roupas curtas e sujas, calças remendadas, camisa xadrez"... Mazzaropi participou de um total de 8 filmes como Ator pela Vera Cruz e, em 1958, com o sucesso popular alcançado, decidiu se dedicar mais ainda ao Cinema, fundando a PAM Filmes - Produções Amacio Mazzaropi!

Mazzaropi passou então a produzir e dirigir seus próprios filmes. Sua primeira produção foi "Chofer De Praça", na qual empregou todas as suas economias. Filme pronto, no entanto, faltava dinhero para fazer as cópias... Amácio seguiu então com seu carro pelo Interior, fazendo shows, visando arrecadar a quantia necessária, para poder estrear o filme, o qual fez bastante sucesso!


O "pano de fundo" de quase todos os filmes produzidos por Mazzaropi foi sempre uma fazenda: de início uma "fazenda emprestada", até que mais tarde adquiriu a sua própria "Fazenda Da Santa", onde montou seus estúdios e passou a viver a fase mais fértil de sua carreira, tendo produzido seus melhores filmes tais como "Tristeza Do Jeca" (em 1961) e "Meu Japão Brasileiro (em 1964). Na foto acima e à direita, cena de "O Lamparina", produzido em 1964, satirizando o famosíssimo cangaceiro Virgulino Ferreira, o Lampião.

Foi no ano de 1961 que Mazzaropi produziu um dos maiores e mais inesquecíveis sucessos do Cinema Brasileiro que foi "Tristeza do jeca", inspirado na música homônima de Angelino de Oliveira. Sob a direção musical do Maestro Hector Lana Fietta, o filme também contou com a participação de Agnaldo Rayol que cantou acompanhado por solos de Acordeom a cargo de Mário Zan.


E, conforme já foi mencionado nesse site, ao utilizar a belíssima "Tristezas do Jeca" ( Angelino de Oliveira) no filme homônimo, Mazzaropi teve uma pequena desavença com o compositor no que se referiu aos Direitos Autorais, desavença essa que foi rapidamente resolvida num encontro entre Mazzaropi e Angelino.


De acordo com Rosa Nepomuceno, nas páginas 136, 137 e 138 de seu excelente livro "Música Caipira - Da Roça Ao Rodeio", "...os amigos de Angelino, revoltados, organizaram uma caravana a São Paulo-SP para 'arrancar' do artista o pagamento dos Direitos Autorais. Debaixo dos 'larga prá lá' do pacato Angelino, desceram a serra Gastão Dal Farra, Zezinho, Zorico, Trajano Puppo e Octacílio Paganini. Sem regatear, Mazzaropi acertou as contas e o pessoal voltou com a bolada. Segundo lendas da cidade de Botucatu-SP, o dinheiro nem esquentou no bolso do compositor: boa parte dele foi devidamente torrado com a turma de boêmios, em noites de serestas memoráveis..."

Foram 28 anos de carreira, nos quais Mazzaropi atuou em 32 filmes, tendo participado em 8 deles pela Vera Cruz, conforme já foi dito, e mais 24 produzidos por ele próprio. Destaque para "Sai da Frente", "A Carrocinha", "O Gato De Madame", no período da Vera Cruz. E, sob sua própria produção: "Jeca Tatu", "As Aventuras de Pedro Malazartes", "Zé do Periquito", "O Vendedor de Lingüiça", "O Lamparina", "Meu Japão Brasileiro", "Um Caipira Em Bariloche", "Portugal Minha Saudade", "O Jeca E A Freira" (cujo tema "Jeca Magoado" (Elpídio dos Santos), "Jecão, Um Fofoqueiro No Céu", "Jeca E Seu Filho Preto" (uma crítica ao preconceito racial), "A Banda Das Velhas Virgens" e "O Jeca E A Égua Milagrosa" (seu último filme - foto colorida acima e à direita). E, para nossa Felicidade, esses filmes estão disponíveis comercialmente em DVD!

Mazzaropi lançava praticamente um filme por ano, sempre no dia 25 de Janeiro, data na qual sua São Paulo natal aniversariava. E o lançamento era sempre no Cine Art-Palácio, pois o dono desse cinema foi a pessoa que mais lhe deu apoio em seu início da carreira!

Como intérprete, Mazzaropi gravou seu primeiro 78 RPM no ano de 1956 pela RGE (hoje Som Livre), tendo no Lado-A o fox "Na Piscina De Madame" (Elpídio dos Santos - Conde)
e no Lado-B, com a participação de Lolita Rodrigues, a marcha "Nhá Carola" (Hudson Gaia "Petit").

A música na verdade sempre foi essencial aos seus filmes, os quais contaram com a direção musical de Radamés Gnatalli e Hector Lagna Fietta, além da participação de renomados intérpretes tais como Tony e Celly Campello (iniciantes na época), Lana
Bittencourt, Miltinho, Hebe Camargo, Elza Soares, Ângela Maria e Agnaldo Rayol, apenas para citar alguns. Composições de Tom Jobim, Dolores Duran, Zequinha de Abreu, Jair Amorim, Catulo da Paixão Cearense e Mário Zan, também foram bastante empregadas nos filmes de Mazzaropi.

Em suas produções cinematográficas, Mazzaropi sempre empregou "da Música Caipira ao Rock". A maioria das músicas foi composta por Elpídio dos Santos, paulista de São Luiz do Paraitinga, que era seu compositor preferido e era sempre convidado para criar as mesmas, as quais eram específicas para cada filme e, em geral, interpretadas pelo próprio Mazzaropi. Tais composições musicais eram criadas para ressaltar cenas importantes e muitas vezes tinham a difícil incumbência de retratar o próprio âmago da história! Elpídio e Mazzaropi se conheceram quando estavam sendo feitas filmagens em São Luiz do Paraitinga-SP e a afinidade foi imediata, de tal modo que o compositor foi escolhido pelo "Carlitos Brasileiro" para compor a quase totalidade das músicas de
seus filmes a partir de então.

Tendo tido origem humilde, Mazzaropi conheceu a fortuna! Também produzia leite, tendo sido um dos maiores fornecedores para a empresa "Leite Paulista". Construiu também novos estúdios no início da década de 1970, além de um hotel em Taubaté-SP.
Além de ter sido um verdadeiro artista nato, Mazzaropi também foi um Empresário com bastante tino comercial, além de ter sido também "desconfiado e solitário"... Jamais se casou, no entanto, chegou a ter um filho adotivo, o Péricles, que o ajudou na produção de seus filmes.

Um câncer na medula tirou a vida de Mazzaropi no dia 13/06/1981, no Hospital Albert Einstein em São Paulo-SP, quando ele contava 69 anos de idade, e estava iniciando a produção de seu 33º. filme "Jeca E A Maria Tromba Homem".

Mazzaropi deixou como herança a produtora, funcionando perfeitamente, bem como os estúdios e equipamentos, herança à qual Mazzaropi também deixou, em parte, para seus antigos funcionários. A empresa inicialmente foi tocada adiante por seus herdeiros, no entanto, o patrimônio por ele construído ao longo de tantos anos, foi lamentavelmente destruído pelos herdeiros após sua morte, tendo todos os seus bens ido a leilão,
inclusive os filmes...

O Hotel-Fazenda onde está seu estúdio, no entanto, para nossa felicidade e da Memória Cinematográfica e Musical Brasileira, continua existindo, agora, com o nome de Hotel Fazenda Mazzaropi, o qual mantém o Museu Mazzaropi com acervo de mais de 6.000
peças. E seus filmes, conforme já mencionado, estão disponíveis em DVD, para nossa grande alegria!

Mazzaropi também foi homenageado pelos compositores Jean e Paulo Garfunkel que compuseram a toada "Mazzaropi" gravada por Pena Branca e Xavantinho e que é a 12ª. faixa do LP "Cantadô de Mundo Afora", lançado pela Warner/Continental em 1990. Salvo algumas faixas em algumas coletâneas, não consta nenhuma remasterização em CD desse excelente LP, nem tão pouco a música que homenageia o "Carlitos Brasileiro".

A inesquecível Dupla do Triângulo Mineiro também nos presenteia com outra gravação de "Mazzaropi" (Jean Garfunkel - Paulo Garfunkel) que é a 9ª. faixa do CD JCB-0709-035 produzido por João Carlos Botezelli - Pelão, lançado pelo SESC-São Paulo que nos mostra alguns depoimentos de Pena Branca e Xavantinho, além de interpretações nas quais eles se acompanham com a Viola e o Violão. Esse CD faz parte da série "A Música Brasileira Deste Século Por Seus Autores E Intérpretes". O conteúdo desse excelente Documento Musical é a gravação do programa Ensaio de 21/02/1991 da TV Cultura de São Paulo, sob a direção de Fernando Faro.

Quero aqui destacar também o CD "Mazzaropi" da Série Luar do Sertão (foto da capa à direita), lançado em Abril de 2000, com encarte comentado por Ayrton Mugnaini Jr., que é uma coletânea bastante representativa da obra do "Charlie Chaplin Brasileiro", bem como do compositor Elpídio dos Santos. Destaque para "Ingratidão" (Elpídio dos Santos), "Cai Sereno (Na Rama Da Mandioquinha)" (Elpídio dos Santos - Conde), "Jeca Magoado" (Elpídio dos Santos), "O Lingüiceiro" (Elpídio dos Santos), "O Azar é Festa" (Ado Benatti - Zé do Rancho), "Fogo No Rancho" (Elpídio dos Santos - Anacleto Rosas Jr.) e "Sopro do Vento" (Elpídio dos Santos), todas temas de diversos filmes lançados entre 1954 e 1967.

Clique aqui e conheça o excelente site do Museu Mazzaropi com biografia, trechos de filmes e canções por ele interpretadas, além de uma entrevista que ele concedeu ao Armando Salem da revista Veja em 28/01/1970. O site também nos mostra a ficha técnica de seus 32 filmes, além do Hotel-Fazenda Mazzaropi, em Taubaté-SP.

Clique aqui e assista a uma cena de "Sai da Frente", o primeiro filme estrelado por Mazzaropi, ainda nos estúdios da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo-SP, num arquivo pertencente ao site do Museu Mazzaropi.

Clique aqui e assista a uma cena de "Jecão... Um Fofoqueiro no Céu", um dos últimos filmes produzidos por Mazzaropi, no ano de 1977, num arquivo pertencente ao site do Museu Mazzaropi.

Obs.: As informações contidas no texto dessa página são originárias dos livros "Música Caipira - Da Roça Ao Rodeio" de Rosa Nepomuceno e "Enciclopédia Das Músicas Sertanejas" de Ayrton Mugnaini Jr., além do encarte do CD "Mazzaropi" da Série Luar do Sertão, lançado em Abril de 2000, comentado por Ayrton Mugnaini Jr., e também dos sites do Museu Mazzaropi, Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira, Companhia Cinematográfica Vera Cruz e SESC - São Paulo (CD de Pena Branca e Xavantinho JCB-0709-035 produzido por João Carlos Botezelli - Pelão). Ver também mais detalhes e links na página Para saber mais... onde constam as Referências Bibliográficas sem as quais a elaboração deste site teria sido impossível.