Este é um blog dedicado exclusivamente para o caipira, sua música, seus causos enfim tudo que tenha a ver com a vida simples do homem do campo. Aqui vc vai encontrar links para sites que tem interesse no resgate e preservação deste estilo.

terça-feira, setembro 29, 2009

Viola entre amigos


Aconteceu no domingo dia 27/09/09, no Santuario de Nossa Senhora em Osvaldo Cruz, mais um encontro de violeiros, que participam do projeto Viola entre Amigos, na oportunidade foi feito o primeiro repasse para a entidade Cantinho da Dona Alice. Vale a pena lembrar que o Cd Viola entre Amigos tem uma grande porcentagem de suas vendas revertidas para as Entidades Filantropicas.

sexta-feira, julho 24, 2009

Piadas de caipira

Uma adaptação dos casos contados por Rolando Boldrin, em "Contando Causos" da editora Nova Alexandria, 2001.

CABRA DE LAMPIÃO

Um porteiro da Rádio Tupi, baiano véio, por quem todos os artistas tinham grande carinho e até chamavam de Baiano da Bahia, dizia sempre que tinha sido cabra de Lampião. E que tinha participado de muitas batalhas do bando contra as volantes de soldados.
– Numa dessas batalhas – contava ele –, nóis matemo tanto sordado, tanto sordado, que urubu só comia de sargento pra cima.

PEDIDO ESTRANHO

Caipira vai passando na frente de uma casa que vende artigos para cabeleireiros. Na placa está escrito:
Artigos para Toucador
Caipira entra, vai pra mocinha do balcão e pede:
– Quero um cordoamento pra viola.

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SÓ NA FORÇA

Quatro caboclos fortes estão numa luta danada com um caixote grande, no meio duma porta de armazém, dois numa ponta, dois na outra. E força daqui, força dali, e nada do dito-cujo passar. Cansado, um deles desacorçoa:
– É, num adianta, nóis num vai consigui fazê esse mardito caixote saí do armazém.
Aí que o outro, do lado de fora, fala:
– Sa í? Ué... Nóis tava pensando que era pro caixote entrá.

QUEM SABE

O proprietário de uma loja, ao caipira que queria um emprego:
– Eu preciso de uma pessoa responsável.
– O sinhô bateu no lugá certo. Em tudo lugá que eu trabaio, quando acontece arguma coisa mar feita, falam que eu sou o respons áver.

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NO CAPRICHO

O Adãozinho, meu cumpade, enquanto esperava pelo delegado, olhava para um quadro, a pintura de uma senhora. Ao entrar a autoridade, e percebendo que o cabôco admirava tal figura, perguntou: “Que tal? Gosta desse quadro?” E o Adãozinho, com toda a sinceridade que Deus dá a um cabôco da roça: “Mas, pelo amor de Deus, hein, dotô! Que muié feia! Parece fiote de cruis-credo, parente do Deus-me-livre, mais horríver que briga de cego no escuro.” Ao que o delegado não teve como deixar de confessar, um pouco secamente: “É minha mãe.” E o cabôco, em cima da bucha, não perde a linha: “Mais, dotô, inté que é uma feiúra caprichada, num é?”

Extraido do site Portal do Ipiranga

segunda-feira, julho 06, 2009

Tatu não dorme na praça

Aos nossos "neo-sertanejos" :

"Dormir na praça" nem sempre é bom negócio. O banco é duro, o frio, congelante.. .Fora, aqueles "guardinhas" chatos com seus cassetetes intrusivos, batendo no nosso traseiro e toda hora mandando a gente "circular".
Por favor, despertem! Pois o tempo passa, o sucesso também e o dinheiro não compra um lugar na memória dos que no futuro escutarão músicas tão ruins como essas que vocês cantam agora.
Façam que nem o Tatu, esse sim é um bichinho esperto:




Tatu não dorme na praça,
Quem dorme é gato carrapicho,
Que mia desafinado,
Rasgando os sacos de lixo.

Tatu não dorme na praça,
Quem dorme é cachorro sem dono,
Que fica latindo pra lua,
Tirando-nos as horas de sono.

Tatu não dorme na praça,
Quem dorme é rato escroto,
Que fica roendo tranqueira,
Pra depois correr pro esgoto.

Tatu não dorme na praça,
Quem dorme é cobra, é serpente,
Que fica acoitada na moita,
Querendo dar o bote na gente.

Tatu não dorme na praça,
Quem dorme na praça é timbu,
Que fica exalando mau cheiro,
Catingando mais que urubu.

Tatu não dorme na praça,
Tatu é um bichinho matreiro,
Tatu dorme no ventre da terra,
Tendo raízes por travesseiro. ..





"Ser Caipira, é uma das coisas que me consola
É ver todo o sentido da vida, no pontear da Viola..."
Elsio Poeta

quinta-feira, abril 30, 2009

Oficina de Viola Caipira

A Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo de Osvaldo Cruz, promove oficina de Viola Caipira

Aula fica por conta do maestro Nelson Pego, coordenador da Orquestra Caipira de Cordas de Presidente Epitácio
A Orquestra Caipira de Cordas é uma das atrações de domingo na 7ª FAICO / Foto: Divulgação
OSVALDO CRUZ – O maestro Nelson Pego, coordenador da Orquestra Caipira de Cordas de Presidente Epitácio, estará à frente da primeira oficina de Viola Caipira, que será realizada neste domingo (3). O desejo é formar em Osvaldo Cruz uma orquestra de viola nos mesmos moldes da já existente em Epitácio, segundo Olavo Garcia, secretário de Cultura, Esportes e Turismo.

O maestro, que também é professor de violão popular do Conservatório Musical Municipal de Epitácio, vai ensinar noções de viola e quais os principais passos para se montar grupos, duplas e orquestras caipira.

A oficina tem caráter teórico e prático, segundo Nelson. “É direcionada tanto ao público interessado e com conhecimento, quanto ao leigo que pretende iniciar no manuseio desse maravilhoso e encantador instrumento, que é a nossa Viola Caipira”.

Temas como a história e anatomia do instrumento, afinações, acordes e escalas, ritmos e batidas, repertório e formação de grupos, também estão dentro do programa. “Não há limite de idade, mas o participante tem que trazer seu próprio instrumento”, orienta.

Horas depois, a Orquestra Caipira de Cordas de Presidente Epitácio sob batuta do maestro Nelson Pego vai se apresentar na 7ª Feira Agroindustrial e Comercial de Osvaldo Cruz (FAICO), no conjunto esportivo Jubileu de Ouro.

O encontro, realizado pela Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo de Osvaldo Cruz, acontece a partir das 15h, na Associação Cultural Nipo Brasileira (antiga ADOC) e é gratuito. As inscrições são limitadas e podem ser feitas na Secretaria de Cultura, antiga Estação da Fepasa.
Postada no Site http://www.ocnet.com.br

sexta-feira, março 27, 2009

Carreirinho

Morte do Carreirinho, entre derradeiros caipiras

Aloisio Milani

Dos patriarcas da música caipira, hoje restam alguns poucos. A contar nos dedos. Sinal de um tempo passado em que a viola transpirava o Brasil antigo, guardado nos rincões das fazendas e que desembarcavam com sucesso estrondoso nas ondas das rádios da capital. Esse país da cultura popular está de luto nesta sexta-feira, 27, com a morte de um de seus principais compositores caipiras: Carreirinho, autor de clássicos como "Boi soberano" e "Ferreirinha".

Aos 87 anos, Adalto Ezequiel faleceu num hospital paulistano, vítima de complicações após um derrame que o deixou inconsciente e respirando com a ajuda de aparelhos há mais de uma semana. O velório e o enterro serão realizados hoje no Cemitério Jaraguá, no Km 23 da rodovia Anhanguera, em São Paulo. Carreirinho deixa dona Mariana como viúva.

Carreirinho nasceu em 1921 na pequena Bofete, interior de São Paulo, a mesma cidade descrita e estudada no clássico da sociologia Parceiros do Rio Bonito, de Antonio Candido, para relatar a cultura caipira. Bofete hoje tem até praça com monumento de Carrerinho. Inezita Barroso, a apresentadora do "Viola, minha viola", da TV Cultura, lembra que esse era um orgulho dele.

- Carrerinho tinha um carinho grande pelas pessoas que lembravam dele por sua história muito digna e bela. Uma vez, numa homenagem, fizemos uma foto de frente ao monumento dele na cidade. Fotografia que guardo com o coração - diz Inezita Barroso

Entre suas principais músicas, está "Ferreirinha" - a crônica de um peão que procurava seu amigo desaparecido depois de sair para tocar uma boiada. O encontrou morto e fez um malabarismo para levá-lo para um enterro decente.

Pra levar meu companheiro veja quanto eu padeci
Amarrei ele pro peito numa árvore suspendi
Cheguei meu cavalo em baixo e na garupa desci
E com cabo dum cabresto amarrei ele ni mim

Outro marco de sua carreira foi a moda "Canoeiro", um causo de pescaria de final de semana. A toada ficou marcada na memória de quase todos que têm mais de 40 anos de vida e apreciam a música raiz.

Domingo de tardezinha, eu estava mesmo a toa
convidei meu companheiro, pra ir pescar na lagoa
Levemos a rede e o lanço
Ai, ai fomos pescar de canoa

Nos últimos anos, estava mais afastado de apresentações por dificuldades de saúde. Mesmo assim compareceu a algumas homenagens, na maior parte das vezes acompanhado por seu ex-parceiro de viola Carreiro e a família de catireiros de Oliveira Alves Fontes, em Guarulhos.

A pedido de Terra Magazine, diversos músicos, personalidades e intelectuais deram seus depoimentos sobre a morte de Carreirinho. Justa homenagem, ainda que póstuma. Seguem...

Inezita Barroso: "Carreirinho foi um grande compositor e, principalmente, muito humilde. Sua simplicidade e sua timidez, inclusive, não o deixararam ser tão conhecido. Mas ele escreveu clássicos maravilhosos da música caipira. Não a velha música, a séria. Faz parte do tronco de nossa história brasileira".

José Hamilton Ribeiro: "Várias das músicas de Carreirinho podem ser colocadas em primeiro lugar em qualquer lista das melhores. Depende do gosto, claro. Mas várias têm potencial de estar lá. As letras dele são verdadeiras lições de português, porque é impossível contar aquelas histórias de outro modo. 'Ferreirinha', por exemplo, não tem o que tirar nem colocar. É uma lição de compositor, até uma lição jornalística. Está entre os gênios caipiras".

Roberto Correa: "Carreirinho foi um dos melhores compositores de todos os tempos. Deixou clássicos impressionantes. Ao lado de Zé Carreiro, constituiu uma das melhores duplas caipiras da história."

Daniel: "Uma pena que a música sertaneja tenha perdido um ícone, uma referência, como o Carreirinho. Tinha uma grande admiração pelo trabalho dele, assim como meu pai também. Só podemos agora orar por ele e para que sua família tenha conforto e paz".

Terra Magazine

segunda-feira, março 16, 2009

A melhor musica caipira de todos os tempos

"Tristeza do Jeca" é a melhor música caipira de todos os tempos

IVAN FINOTTI
da Folha de S.Paulo

"Uma música especial, com letra bela, mas diferente do que tocam por aí", aprovou o doutor Nestor Seabra. Era uma tarde de 1918 e o elogio se dirigia ao autor da singela canção, Angelino de Oliveira, um dentista, mas que também vendia imóveis, liderava o trio Viguipi (violino, guitarra, piano) e, vez por outra, ainda assinava como escrivão de polícia de Botucatu.

Já o Nestor Seabra --presidente do Clube 24 de Maio, um dos mais tradicionais da cidade-- era quem havia encomendado a tal da "música especial" ao multifacetado Angelino.

E foi no 24 de Maio, sob o olhar satisfeito do doutor presidente, que Angelino tocou e cantou "Tristeza do Jeca" pela primeira vez. "Teve de bisar a música cinco vezes", conta o jornalista e pesquisador Ayrton Mugnaini Jr., autor da "Enciclopédia das Músicas Sertanejas" (Letras & Letras, 2001).

Noventa anos depois, "Tristeza do Jeca" é a campeã de uma eleição feita, a pedido da Folha, por um grupo de 16 críticos, pesquisadores e compositores. Sem ser científica ou estatística, a enquete aponta alguns dos maiores clássicos da música caipira e ajuda qualquer interessado pelo gênero a montar um CD danado de bão.

Tatu

Inspirada no Jeca Tatu, personagem do livro "Urupês" --que Monteiro Lobato havia lançado naquele mesmo longínquo 1918--, "Tristeza do Jeca" deixou marcas profundas.

"O tom desencantado da letra deu, por um tempo, ideia de que música caipira tratasse só de morte, de tragédia, o que não é verdade", afirma José Hamilton Ribeiro, autor do livro "Música Caipira - As 270 Maiores Modas de Todos os Tempos" (ed. Globo, 2006).

Já o jornalista Marcelo Tas, fã apaixonado do estilo sertanejo, recorre a lembranças interioranas para justificar seu voto: "Que me desculpem Tonico e Tinoco, mas o melhor intérprete desta canção foi meu 'vô' João. Nas festas da família lá em Ituverava, sempre chegava a hora dele cantar, cheio de orgulho e com uma verdade doída saindo do peito, que 'nasceu num ranchinho à beira-chão todo cheio de buraco onde a lua faz clarão'. Todo mundo deixava o que estava fazendo para ir correndo ver o show. Um verdadeiro 'resumo da ópera' caipira."

Além deles, votaram os historiadores Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello (ambos autores de "A Canção no Tempo", Editora 34, 1997), Fernando Faro (criador do programa "Ensaio"), Rosa Nepomuceno (autora de "Música Caipira -Da Roça ao Rodeio", editora 34, 1999), Aloisio Milani (roteirista do "Viola, Minha Viola"), Assis Ângelo (autor do "Dicionário Gonzagueano, de A a Z"), Carlos Rennó (organizador de "Gilberto Gil - Todas as Letras), Luís Antônio Giron (editor de cultura da revista "Época") e Marcus Preto (colaborador da Ilustrada).

Quatro artistas também participaram: Tinoco (da dupla com Tonico), Zezé di Camargo, Renato Teixeira e a dupla Milionário e José Rico, que votaram em dupla. As listas completas, com a ordem de votação de cada eleitor, e alguns comentários sobre cada canção, podem ser lidas em www.folha.com.br/090651.

Tuia

"Tristeza do Jeca" --assim como a maioria das 78 músicas citadas na votação-- foi gravada e regravada por todo mundo, no meio sertanejo e fora dele. No filme "2 Filhos de Francisco" (2005) foi a vez de Maria Bethânia e Caetano Veloso.

Mas a versão mais votada pelos especialistas consultados foi mesmo a de Tonico e Tinoco. "Ela abria e fechava o 'Na Beira da Tuia', nosso programa na rádio Bandeirantes", lembra Tinoco, 88.

"Tuia? Ora, tuia é onde a gente guarda enxada, saco de milho, essas coisas... Mas esse povo da cidade não tem 'curtura' nenhuma 'mermo'..."

domingo, março 01, 2009

* Centenário de Patativa do Assaré


O centenário de Patativa do Assaré está próximo. Dia 05 de março de 1909 nasceu no sertão das cotias (ops, é melhor que se corrija o texto, afinal já não estamos mais em São Luis do Paraitinga, de cartola na mão, ao som das marchinhas do Juca Teles). Serra de Santana! Município de Assaré, sul do Ceará. Isso, lá nasceu Antonio Gonçalves da Silva, o filho de dona Maria e de seu Pedro, agricultor.

Consolidou seu nome na história como poeta popular, cantor, compositor e improvisador, sendo uma das figuras mais importantes da música nordestina do século XX. Recebeu diversos prêmios e títulos como o de Professor Doutor Honoris Causa da Universidade Regional de Cariri (1989), da Universidade Estadual do Ceará (1999), da Universidade Federal do Ceára (1999) e da Universidade Tiradentes, em Sergipe (2000). Está sendo estudado na Sorbonne (França), na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel.

Patativa do Assaré era unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil. Seu nome artístico foi inspirado numa avezinha cantadora, passeriforme, plúmbea, de canto triste e melodioso, e que também canta para demarcar território. Nessa época os poetas populares vicejavam e muitos eram chamados de 'patativas' porque viviam cantando versos. Ele era apenas um deles. Para ser melhor identificado, adotou o nome de sua cidade.

Aos oito anos, com a morte do pai, o menino foi pra enxada. Cresceu ouvindo histórias, os ponteios da viola e folhetos de cordel. E quando fez dezesseis, sua mãe vende uma ovelha e lhe dá sua primeira viola. À partir dessa época, começa a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Em pouco tempo, a fama de menino violeiro se espalhou. Viajou para o Pará e enfrentou muita peleja com cantadores. Quando voltou, estava consagrado: era o Patativa do Assaré.

“Patativa descontente,
nesta gaiola cativa
muito embora diferente,
eu também sou Patativa
Linda avezinha pequena,
temos o mesmo desgosto
sofremos a mesma pena,
embora em sentido oposto,
Teu sofrer e meu penar
clamam a divina lei
tu presas pra cantar
e eu preso porque cantei!”

Patativa do Assaré foi a voz não só do sertanejo nordestino e dos trabalhadores rurais; mas de todos os injustiçados, marginalizados e oprimidos. Sua poesia, embora enraizada no sertão nordestino, é ao mesmo tempo universal por representar o sentimento de uma classe social com a autenticidade de quem é ‘do povo’. Além de poeta popular, foi cantador, violeiro, improvisador, poeta de bancada e também escreveu cordéis (apesar de não se considerar um "cordelista"). [Mais em Wikipedia, verbete Patativa do Assaré]

Ninguém soube tão bem cantar em verso e prosa os contrastes do sertão nordestino e a beleza de sua natureza. Talvez por isso, Patativa ainda influencie a arte feita hoje. O grupo pernambucano da nova geração 'Cordel do Fogo Encantado' bebe na fonte do poeta para compor suas letras. Luiz Gonzaga gravou muitas músicas dele, entre elas a que lançou Patativa comercialmente, 'A triste partida'. Há até quem compare as rimas e maneira de descrever as diferenças sociais do Brasil com as músicas do rapper carioca Gabriel Pensador. [Disponível em Tanto Literatura, Patativa].

Patativa é considerado o gênio da literatura cearense, por ser um poeta dotado de habilidades especiais. Ele sempre teve consciência do seu dom e do seu valor como poeta. Ele afirma isso numa entrevista: “poeta que tenha criatividade como o Patativa tem, são poucos, viu? É raro”. [FEITOSA, Luiz Tadeu. Patativa do Assaré – a trajetória de um canto. São Paulo, Escrituras Editora, 2003. Tirado daqui.]

A sua vocação de poeta, cantador da existência e cronista das mazelas do mundo despertou cedo, aos cinco anos já exercitava seu versejar. A mesma infância que lhe testemunhou os primeiros versos presenciaria a perda da visão direita, em decorrência de uma doença, segundo ele, chamada "mal d'olhos". [Mais aqui].

DOCUMENTÁRIO
Patativa do Assaré – Ave Poesia

Documentário, Brasil. 2007.
Direção: Rosemberg Cariry

Sinopse: O filme aborda a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré,destacando a relevância dos seus poemas, o significado político dos seus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira. Dono de um ritmo poético de musicalidade única, mestre maior da arte da versificação e com um vocabulário que vai do dialeto da língua nordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa do Assaré é a síntese do saber popular versus saber erudito. Patativa do Assaré consegue, com arte e beleza, unir a denúncia social com o lirismo. Aço e rosa.

sábado, fevereiro 28, 2009

TEMPO DE QUARESMA E DE VIOLAS E VIOLEIROS

Passado o carnaval, quarta de cinzas, começos de Quaresma, ressaca ou energias refeitas, a turma do ser-tão reencontra suas trilhas. E depois da Folia e da farra, ou do retiro – a Editora Chefa Fernanda, a Lenda, deve ter muita coisa a contar de São Luis do Paraitinga. Eu cheguei a preparar meu cavalo, o Murzelo Alazão para ir até lá, mas quando vi a enorme quantidade de turistas, 150 mil!, desisti, pois nem água meu pobre cavalo ia ter – nada mais relaxante do que falar de violas e de violeiros...
Antes, porém, uma palavrinha, pequetita, assim, sobre esse evento, a Quaresma, de muita importância simbólica, ainda, para grande parte das gentes do interior. Lá em Junqueirópolis, Jaciporã, Irapurú e aquelas cidades do Pontal, ao tempo em que lá eu vivia, nas aulas de Catecismo e nas conversas entre os adultos, me asseguraram que significava os 40 dias de provação de Nosso Senhor no deserto... Bem, esse significado eu não vi em nenhum outro lugar, apesar das equivalências de outras explicações... certamente, reflete a incrível capacidade de adaptação que as comunidades isoladas das festas e costumes ditos oficiais... A isso poderia também de chamar “sincretismo religioso”? Com a palavra, Mestre Zé Maria, nosso Guru, autoridade nesses assuntos, ele que foi coroinha dos mais competentes, lá em Paraguassu Paulista. A verdade é que a associação da Quaresma com os dias de tentação no deserto é uma explicação bem plausível, apesar de representar uma discrepância histórica, pois os dias de tentação foram antes do início da vida pública de Cristo, como mensageiro do Santo Verbo, enquanto os dias retratados na Quaresma antecedem a festa da Páscoa e a Ressurreição... Porém, os sertanejos costumam passar por cima de certos detalhes, acontecidos há tanto tempo.. E mesmo os historiadores mais respeitáveis dizem que o passado muda constantemente, de modo que a versão dos sertanejos do Pontal (ou pelo menos das fazendas onde vivi) é perfeitamente plausível...


A palavra Quaresma vem de Quadragésima e o número 4 tem para os cristãos o significado simbólico do mundo material e esse tempo, o da Quaresma, tem a finalidade de nos lembrar tempos de sacrifício e provações: 40 dias do Dilúvio, 40 anos de travessia do povo judeu pelo deserto sob a direção de Moisés, os 40 dias que Moisés ficou na Montanha onde recebeu as Tábuas da Lei – que arrebentaria na cabeça dos apressados que não tiveram paciência de esperar e resolveram fazer um deus provisório na figura de um bezerro de ouro – e os 400 anos que duraram a Diáspora no Egito... De qualquer forma, além das penitências e dos jejuns que muitos cristãos praticam, sobretudo deve significar para todos, tempo de reflexão na busca de justiça e amor para toda a humanidade; preparar o espírito para a Páscoa, a “passagem”; renascimento... Assim sendo, ao som de violas em clamores, entremos na Quaresma...

(nossos sinceros agradecimentos ao pessoal do blog ser-tão paulistano, em especial à Cumadre Fernanda)

http://sertaopaulistano.blogspot.com

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Yassir Chediak na novela Paraíso

O grande conhecimento da arte da viola caipira, aliado a um talento extraordinário e a uma figura marcante tem levado Yassir Chediak a participar de filmes, programas de TV e, atualmente, participar da novela PARAÍSO, próxima novela das 18:00hs de Benedito Ruy Barbosa que está sendo gravada pela Globo.

Entre atores consagrados, como Eriberto Leão,Mauro Mendonça, Cássia Kiss, também estão na novela nomes importantes de nossa música como o cantor Daniel, o violonista Rodrigo Sater (irmão de Almir Sater) e Yassir Chediak, considerado pelos estudiosos como um dos maiores violeiros do país.

Com cenas gravadas no Pantanal, na Chapada dos Guimarães e tantos outras locações deslumbrantes, a novela promete repetir os sucessos deste grande escritor que é Benedito Ruy Barbosa, autor de, entre outras, PANTANAL e REI DO GADO, que marcaram época na TV brasileira.

Entrevistado pelo Viola Caipira, Yassir Chediak, este carioca criado em Três Corações, Minas Gerais, fala sobre a novela: “É uma incursão pelo Brasil Profundo. Benedito Ruy Barbosa é o Bandeirante de nossa teledramaturgia, ele penetra no coração do país, de sua gente. Um mestre. Edmara Barbosa e Edilene Barbosa, que fazem a adaptação, suas fiéis seguidoras. A direção de Rogério Gomes, o Papinha, é um show. Os atores fantásticos. Isto, sem contar com a beleza que é trabalhar com Daniel e Rodrigo Sater. Estou no Paraíso”, ele diz fazendo uma citação ao título da novela.

Vejam a matéria que saiu no jornal "O Extra" -

Materia coletada no site www.violacaipira.com.br

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Bem como alguns poderão percerber o tatu deixou de somente empunhar a viola, agora esta tocando... pena que seja somente o tatu guerreiro que tenha aprendido a tocar viola ...



Que Deus pela intercessão de São Gonçalo abençoe a todos.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Radio Viola Viva

Que surpresa agradavel a minha ao descobrir este site. Qualquer hora em que conecto esta tocando uma bela musica de viola.... como o proprio slogam diz "CAIPIRA 24 HORAS" e assim nós, os apreciadores e defensores da musica raiz, temos mais uma trincheira.... como diz o nosso grande Tinoco "Que Beleezaaa!!!!!"

Grande Daniel Viola... Que Deus, pela intercessão de São Gonçalo te abençoe sempre!!!!



domingo, fevereiro 08, 2009

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Ação entre amigos

O drama de um cantador Sertanejo Tinoco rifa carro 98 para sair da dificuldade e tratar a mulher

“Estou nele agora”, disse José Carlos Perino Perez por celular, ontem à tarde, ao responder se o Gol 1998 rifado para ajudar a mãe, Nadir, pertence à família. Pertence. E não é qualquer família: José Carlos, 49 anos, é filho único de José Perez, o Tinoco, 88, maior nome da música sertaneja de raiz.

Casada com o artista há 56 anos, Nadir, 71, teve o pâncreas e baço extraídos em agosto de 2008 por causa de um câncer e precisa de dinheiro para continuar o tratamento após a cirurgia.

“Está muito fragilizada física e psicologicamente”, conta José Carlos. “Já meu pai fica muito abatido, mas não pode parar de cantar.”

A rifa começou a ser divulgada de forma discreta na semana passada. “Muita gente dá apoio, mas também há os que criticam porque acham que ele [Tinoco] não precisa disso”, desabafa José Carlos.

O jornalista Ricardo Kotscho pensa diferente. “Tinoco está no maior sufoco em busca de trabalho para pagar suas contas”, escreve em seu blog no iG. “Ele é um dos maiores artistas da história da arte e da cultura popular brasileiras.”

Meta para hoje: 300 bilhetes
Também empresário do pai, José Carlos atualiza a contabilidade do drama: até ontem, 250 rifas foram vendidas a R$ 50 cada. Hoje quer chegar a 300.

O sorteio está marcado para 9 de maio pela extração da Loterial Federal do Dia das Mães. Ao todo, são 1.000 números.

Já Tinoco, diz o filho, busca manter até cinco shows por mês para tocar a vida em São Paulo, cidade que adotou ainda na década de 1940 após deixar uma fazenda de Botucatu (a 101 km de Bauru) com o irmão Tonico (nascido em São Manuel, distante 85 km).

Tonico fazia a segunda voz da dupla e morreu em 1994. Com 80 discos de vinil e 50 CDs, Tinoco já está no 76º ano de carreira – quase uma eternidade.


Medicação custa R$ 10 mil por mês
Só a medicação nova e importada, que Nadir precisa tomar, custa R$ 5 mil por aplicação (são duas por mês). Segundo a família, o remédio não é encontrado em farmácias de alto custo do governo. O plano de saúde está em carência.

Para ajudar, o interessado deve mandar um e-mail com seus dados pessoais para José Carlos e depositar o valor do bilhete em conta bancária. Depois, recebe o bilhete – por internet, fax ou carta – com o número para concorrer ao carro, que tem vidros elétricos, direção hidráulica e ar condicionado. “Aos empresários que adquirirem 100 ou mais números, Tinoco cede sua imagem por seis meses sem custo para o patrocinador”, avisa o filho.

Em detalhes
O quê:
Campanha “Entre Amigos” com sorteio de Gol 98 em 9 de maio pela Loterial Federal. Bilhete: R$ 50
Conta: Banco do Brasil. Agência: 0384-C/C: 205153-2 - Jose Perez
Site: www.tinocodobrasil.com.br. E-mail: zekaperez@hotmail.com
Contato: (11) 9640 2315 (José Carlos)

Matéria publicada no site Rede Bom Dia

sábado, janeiro 03, 2009

Luto

Faleceu hoje um grande artista, o grupo viola enluarada tem o pesar que comunicar que faleceu hoje as 5:00 da manha na cidade de Bastos um de seus membros, um grande talento se perdeu, deixando um grande vazio. Morreu o Sr Jose Claudino...um dos melhores violeiros que conheci, segue abaixo alguns momentos que passamos juntos, so nos resta pedir a Deus que de o consolo à familia e que lhe dê o seu lugar junto aos grandes artistas que estao la no Céu, certamente organizando uma roda de viola.







Nesta foto ele entre seu filho Claudinei e o Amigo Paulinho em um Festival em Iacri


Nesta foto junto com Roberto que era o seu atual parceiro na ultima confraternização do Recanto da Viola 16/12/2008